Andei lendo: “manual para ler as estrelas”

Um corpo de poeta no mundo aqui embaixo, aterrado, sentindo e andando pelo que temos disponível nas nossas possibilidades restritas e vastas como seres terrestres, mas os olhos e a mente estão enfiados nas estrelas. Não é que ele visualize as estrelas, assim, como nós, de fora. É que ele as perscruta. Levanta a cortina escura pingada de luz e quer enxergar os bastidores do espetáculo que vemos toda noite. Quer entender as origens, as motivações, os sentimentos dessas presenças que só vemos porque não vivem mais. É assim que Daniel Carvalho (@gtrdaniel) nos conduz com seu “manual para ler as estrelas”, nos mostrando trilhas poéticas por entre as constelações de nós mesmos, espelhadas nas constelações ali de cima. Muitas vezes disseram, às crianças que fomos, que, quando morremos, viramos estrelas. Se é assim, os seres que brilham lá já brilharam aqui e talvez sintam lá o que já sentiram aqui. Acho que é por isso que esse poeta captura essas estrelas humanizadas, ainda que tão distantes dos humanos, e as aterrissa em nós e no nosso brilho apagado ou ainda não conhecido. Ao terminar de ler o “Manual para ler as estrelas”, passadas algumas páginas, revi a dedicatória (que não vem no início, porque isso não faria sentido para esse livro) que Daniel escreveu: “Leila, ler poesia é visitar universos de um ‘eu’ e de um ‘nós’”. Eu só pude concordar. Minha humanidade individual tão atingida pelas palavras e imagens desse manual quanto a minha pertença ao que me circunda e aos que me circundam, sejam humanos ainda terrestres ou humanos já estrelas.
Taí esse céu de poemas que Daniel escreveu. Conheçam, leiam, se emocionem, se constelem!
