Em nome de Isabella.
Thiago Süssekind
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Oi Thiago, costumo gostar pra caramba do que você escreve, mas não consigo concordar de jeito nenhum com esse texto, por mais bem escrito que ele esteja hehe.

Em primeiro lugar, em relação ao subtítulo, não vejo como a prisão ou não da madrasta possa influenciar no descanso da menina, que morreu há anos.

Em seguida, importa mencionar que isso de falar que um crime aconteceu assim ou assado, como em qualquer julgamento penal, trata somente de suposições melhor acatadas pelo juiz do caso e pela mídia, podendo perfeitamente serem bem diferentes da verdade, como acontece em boa parte dos casos. Nesse, em específico, rolam alguns boatos lá na UERJ que falam que a verdade não é a proferida pelo MP ou a sustentada pelo casal, mas uma terceira que— seu facebook fala que você ta estudando lá, mas nunca te vi, então to assumindo que você entrou recentemente — se você não ouviu até hoje, vai ouvir em algum momento da sua formação uerjiana. Nessa teoria da conspiração, a declaração da madrasta de que é inocente e não se arrepende, até faz muito sentido.

Acima de tudo isso, o mais importante aqui é considerar a prisão brasileira em seu cerne e pensar bem em quanto um lugar como esse pode realmente ressocializar uma pessoa. Não vou nem entrar no mérito da prisão como instituição em si própria, mas a própria ONU já denunciou as condições atuais dos estabelecimentos carcerários brasileiros e muitos sustentam que equivalem à aplicação de técnicas de tortura. Em um ambiente desses, não vejo como alguém possa, de fato, se "reintroduzido" à sociedade — uma expressão que eu não gosto muito porque, pessoalmente, acredito ser diametralmente oposta à real função social do encarceramento — ou mesmo pensar no que fez, de modo que nada adiantaria deixar a Anna Carolina Jatobá por lá mais alguns anos. Além disso, não dá pra estabelecer uma medida quantitativa de tempo para que seja admissível acreditar que o condenado se reabilitou ou não, mas já que anossa legislação já faz esse "favor" pra gente, porque não segui-la e, aproveitando, diminuir em pelo menos uma pessoa essa população carcerária absurda que não para de crescer no Brasil.

Ah, e você menciona que ela agora poderá trabalhar, sendo que o art. 34 do Código Penal permite expressamente o trabalho para presos no regime fechado, inclusive, em determinados casos, fora da instituição em que estão reclusos. O trabalho é um dos fundamentos da "ressocialização" na prisão moderna e está sempre presente, ainda que mais na legislação do que na prática.

Por fim, a prisão não é justa, e pedir prisão, pra mim, é o extremo oposto de pedir justiça, seja para a Isabella ou quem quer que seja. Pedir prisão é pedir por exploração, tortura e condições que violam os direitos humanos mais básicos e eu acho isso bem bizarro.

É isso, só respondi porque esse é um assunto que realmente me toca. Enfim, beijos e espero te encontrar nas próximas choppadas pra gente discutir o assunto em um ambiente em que críticas construtivas e admirações não pareçam tão hostis quanto a internet.