Édipo Rei

Édipo é o atual rei de Tebas, tendo resolvido o enigma da Esfinge e salvo a cidade da destruição. Porém durante seu reinado surge uma praga em seus domínios, que afeta a fertilidade de terra, dos animais e das mulheres da região. Na tentativa de salvar novamente a cidade o rei busca o auxílio dos oráculos, esses sugerem que a origem da praga é o assassino do velho rei Laio, que ainda vive impune. Édipo decide investigar o assassinato, quanto mais próximo chega da verdade mais ele transita para a posição de de culpado e vítima da situação. A investigação leva-o descobrir que ELE é assassino de Laio, descobre também que ele era na verdade seu pai, e Jocasta, sua rainha, é a sua mãe. E tendo matado o pai e casado com sua mãe, cumpriu uma profecia que mais cedo havia sido proferida. De qualquer forma, Jocasta, sua rainha se enforca e Édipo fura a seus próprios olhos com suas jóias, em seguida, vai para o exílio.

Curiosidades:

  • A tragédia surgiu na Grécia Antiga, suas origens giram em torno dos rituais em celebração ao deus Dionísio. As apresentações de peças teatrais trágicas eram a principal manifestação das festas dionisíacas, já que essas apresentam em sua composição alguns do elementos que caracterizam o deus. Dionísio simboliza a transformação da ordem em caos, o e tudo que escapa da razão humana e que pode ser atribuída à ação dos deuses.
  • Édipo Rei, escrita por Sófocles, dramaturgo grego e um dos mais importantes escritores de tragédia, por volta de 427 a.C, foi aclamada por Aristóteles, na sua Poética, onde ele considerou a obra o mais perfeito exemplo dos princípios da tragédia grega, essa sendo definida no texto como “ a imitação de uma ação séria e concluída em si mesma… que, mediante uma série de casos que suscitam piedade e terror, tem por efeito aliviar e purificar a alma de tais paixões.” Ou seja, a tragédia também é destinada a evocar tanto piedade e medo.

O grande brilho de Édipo Rei, está no final da peça — ao furar os olhos Édipo, desperta em nós o sentimento de pena mas também o de medo. E essa é a parte complicada, Aristóteles também escreveu que a tragédia deve afligir uma personagem principalmente boa que comete um grande erro, ela não pode ser sobre uma personagem ruim, porque então você não sente qualquer piedade. E não pode ser sobre um caráter perfeito que faz tudo direito e ainda sofre um fim trágico.

Então, no início da peça, Édipo parece ser definitivamente um ótimo rei, por exemplo, o sacerdote chama de “Édipo, grande senhor nosso rei” e ao contar a ele sobre o sofrimento na cidade, Édipo responde que já está ciente “sofro ao mesmo tempo pelo país, por vós e por mim’’ mostrando que está preocupado com o que está acontecendo ao seu povo, e na verdade, ele já havia despachado seu cunhado, Creonte, para visitar um oráculo e descobrir a origem da peste e também Édipo já salvou a cidade uma vez por responder o enigma da Esfinge tinha o corpo de uma mulher, as asas de uma águia. Todos esses elementos constroem ao rei um belíssimo carácter. Porém, Édipo apresenta defeitos, como por exemplo, acusa Creonte de conspirar contra ele. Ele também tem algumas palavras duras para o vidente cego, Tirésias, e ameaça o homem com tortura. Há uma série de ambiguidades em seus atos, mas esses são pequenos erros, em vez de grandes.

Então seria o seu destino resultado de suas falhas? O erro de Édipo matar Laio na encruzilhada? Sófocles faz com que seja bastante claro que Laio tenha dirigido a Édipo com agressividade e ele assim tendo permissão para reagir em legítima defesa. Foi dormir com Jocasta? Mas novamente, não é realmente uma escolha. Ela foi apresentada a ele, juntamente com o reino, quando ele derrotou a Esfinge.

Assim construindo uma personagem que era um grande homem e é arruinado por um grande erro. Os erros de Édipo não são totalmente sua culpa, mas sim são impostos por seu destino. Este é o grande elemento de excelência da tragédia da obra de Sófocles, os atos do rei nos provocam sentimentos múltiplos.

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