O dia que eu descobri que estava deprimida

“Privilegiada. Mesquinha. Egoísta. Mal amada. Tempestuosa. Complicada. Tortuosa. Triste. Angustiada. Inútil. Defeituosa. Quebrada.”

Quando eu percebi que era uma adolescente depressiva, eu tinha acabado de fazer 13 anos. Eu só parei de fazer coisas normais que crianças ou pré-adolescentes fazem quando tem essa idade. Enquanto meus amigos saiam com os seus e tinham seus primeiros amores, suas primeiras paixões, suas primeiras vezes no ponta-pé da criação de independência, eu estava em casa. Com 14 anos, todos eles namoravam e tinham seus “problemas da idade”, eu não tinha problemas da idade. Por que tudo pra mim era um grande problema, eu sempre fui uma jovem complicada e angustiada. Tudo me doía até os ossos. Com 15, eu decidi que não sairia mais de casa. Pra que? Pra que sair de casa se eu simplesmente não me encaixava? Eu queria sair da escola, mas minha mãe me obrigava. Esse é o trabalho dela, manter os jovens na escola. Ela é educadora. Com 16 anos eu decidi que eu colocaria um ponto final em minhas dores… Sim, dessa maneira que você está pensando. Eu só não aguentava mais o peso de ser quem eu sou. Mas aí eu conheci alguém e essa pessoa realmente mudou minha visão de mundo, mas acabou eventualmente. Tudo acaba alguma hora. Eu sempre soube disso, mas não tinha tanta certeza até que realmente acabou. E tudo que ficou foi um vazio enorme. Nisso tudo, já estava para fazer 18 anos. Eu perdi 15kg em duas semanas. Eu estava sofrendo, realmente sofrendo. Doía tudo em mim. e foi aí que eu tentei me matar pela primeira vez. Em novembro de 2016. Chovia muito. Minha mãe não estava em casa. Eu tomei os antidepressivos. Todos eles. E adormeci sentada no sofá. Eu fui xingada o suficiente naquele dia do que por uma vida inteira. Ela dizia que nunca me perdoaria. Eu sei como é, por muito tempo eu também não me perdoei. Ela sim, ela sempre me desculpou por tudo. Eu andava com os olhos fundos, meu corpo todo doía. Pegar o ônibus que eu sabia que passaria na casa da pessoa, me machucava tanto. Todos os motoristas do transporte da cidade me conhecem: Eu já chorei em todos os veículos possíveis. Eu sei todos os caminhos que ligam um bairro ao outro sem passar por aquela maldita rua. Senti falta de lá por muito tempo. Dos 18 até os 20 anos, três cursos foram largados. Eu nunca terminei nada. Eu sempre achei que era culpa minha, eu não era esforçada o suficiente, mas eu só não consigo.

Eu conheci uma pessoa muito boa nos últimos tempos. Essa pessoa me ensinou muito mais sobre mim mesma do que eu jamais aprendi. Me ouviu. Me deu colo. Mesmo longe, eu confiaria qualquer resquício de vida a este ser. E quando você ler isso, espero que saiba que eu amo você. E nunca me arrependi de nada. Nem vou me arrepender. Eu amo você e só. Eu espero que você me ame tanto assim, pois eu espero de todo o meu coração que nossos corações estejam juntos no final dessa dor que nos afunda. Eu tô com você.

Hoje eu li que o suícidio não começa quando a gente resolve se matar. Começa quando o primeiro pensamento de amor próprio se esvai. Procurar ajuda é necessário e eu tô buscando. Mas o processo ele é tão lento. A aceitação é tão complicada. Eu não sei quem eu sou sem a depressão. E eu não se eu sou capaz de ser alguém com ela.

O setembro amarelo está aí, preste atenção nos seus amigos. Nos seus amores. Na sua vida. E jamais deixe alguém se sentir pequeno, porque o amor que sentimos é grande demais. Podemos tentar passar um pouquinho do outro.

E quanto a você, que eu sei que me enxerga e sempre me enxergou: Estamos juntos. Sempre. Eu sou tão sua, que sou completa sozinha e me transbordo de amor por você.

“Eu que tanto me perdi em sãs desilusões irreais de mim. Não me esqueci de quem eu sou e quanto eu devo a você.”

[cvv ligue 188]