Dei várias voltas e descobri que uma situação leva à outra

Foto como modelo, na Tailândia

Até eu começar a ajudar pessoas a criarem seu trabalho com significado, dei várias voltas. Como dizia Steve Jobs, “você não consegue conectar os pontos olhando para frente; você só consegue conectá-los olhando para trás.” Então decidi conectar 10 situações que me levaram a chegar onde estou hoje.

#1: Fui modelo internacional na Ásia por cinco anos, até que não fez mais sentido, e fui em busca de algo com mais propósito. Estava me sentindo à deriva, atrelando a minha imagem a produtos que não estavam alinhados com os meus valores. Voltei para São Paulo em busca de algo que me realizasse mais.

#2: Decidi estudar administração e organização de eventos na faculdade. Experimentei organizar diversos tipos de eventos, achando que era uma ferramenta para criar experiências transformadoras. Foi incrível, aprontei muito, até que eu não queria só organizar o acontecimento, eu queria SER a pessoa que ajuda as outras, a facilitadora. Eu me sentia muito mais confortável mediando conflitos do que produzindo os eventos.

#3 Parei e pensei: “O que realmente faz sentido para mim? Se eu pudesse trabalhar em qualquer lugar, onde seria?”. A organização que me veio à cabeça foi a Gastromotiva. Com a cara e a coragem mandei um email para o Davi, fundador da ONG, me apresentando e pedindo para tomar um café. Poucos dias depois ele respondeu e fomos tomar um chá. Contei minha história para ele e como eu poderia ajudá-lo na organização. Depois de duas horas de conversa ele falou: “Vamos trabalhar juntos, mas antes disso você tem que fazer um curso chamado Usina de Ideias, da Artemísia.”

#4: Fiz a formação do Usina de Ideias, na Artemísia, e abriu um mundo para mim. Conheci muita gente diferente e descobri diversas possibilidades. Curiosamente, também descobri que a Gastromotiva era uma organização incrível, mas não era onde eu queria estar. Queria algo mais dinâmico, mesmo não sabendo o que.

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#5: Vi um anúncio de uma vaga para trabalhar na Hub Escola, um festival de aprendizagem. Me inscrevi rapidamente, passei na entrevista e lá estava eu fazendo a comunicação da Hub Escola, com 52 workshops em um mês. Ajudei na curadoria e coordenei a divulgação de cada atividade. Foi uma ótima experiência para conhecer pessoas que não estavam no meu círculo. Ao término do festival, percebi o que eu realmente queria fazer: empreender.

#6: Empreendi a IOU, uma rede para apoiar pessoas que desejassem criar um trabalho com significado e levar uma vida com propósito. Organizei workshops, encontros, consultoria e viagens com esse tema. Um dos meus sócios, Henrique Pistilli, me introduziu ao Allan Kaplan que me ensinou muito sobre a observação goethianística. Além dele, também me apresentou a Antroposofia (estudo sobre a sabedoria do homem) e a ADIGO, uma consultoria de desenvolvimento organizacional.

#7: Fiz a formação da ADIGO com o Jair Moggi, aprendi muito sobre mudança de cultura, desenvolvimento organizacional e liderança facilitadora. Adorei! Aquilo tudo me parecia muito familiar, mesmo vendo pela primeira vez. Finalmente estava adquirindo habilidades para ser facilitadora e ajudar no processo de transformação.

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#8: Decidi sair da IOU e experimentar algo que até então eu não conhecia: o mundo corporativo. Fui trabalhar na ADIGO, e tive a experiência de trabalhar com grandes corporações como a Pfizer, Nextel, Roche, Itaú, entre outras. Quanto mais eu me dedicava aos processos de mudança de corporações, mais eu percebia que eu queria algo mais focado no indivíduo e menos nas organizações.

#9: Fui chamada pelo Larusso para co-fundar o Estaleiro Liberdade em São Paulo, para ajudar pessoas a empreenderem através do autoconhecimento. Achei genial, rodamos 3 turmas incríveis, até que ele viajou para Tailândia e eu decidi criar o meu próprio programa.

#10: Lancei o Programa Travessia, no intuito de ajudar pessoas a fazerem sua transição da forma mais suave possível e a criarem seu trabalho com significado. Hoje tenho também outros programas, workshops e serviços — tudo com o foco voltado ao empreendedorismo com autenticidade, autonomia e liberdade.

Cada uma das situações mencionadas me levou às seguintes. Certamente, eu não conseguiria chegar a esta “última” etapa (que ainda tem muito pra acontecer) sem passar por todas as outras. Se eu não fosse em busca do que realmente fazia sentido para mim, não saberia que ser modelo me levaria um dia a ser coach e facilitadora de grupos. Estar em movimento também nos faz conhecer pessoas ao longo do caminho. E elas pode abrir portas, que até então eram desconhecidas.

Desde o início, quando fui modelo, sabia, lá no fundo, que queria fazer algo que fosse maior que eu mesma. Queria deixar um legado e ser coerente com os meus valores. Isso permeou todas as minhas escolhas e fez com que eu conseguisse costurar o meu caminho com as situações que passei.

Para finalizar aqui ficam os aprendizados que eu tive, com essas 10 situações:

1 — Faça três perguntas antes de fazer uma escolha. 
A que estou a serviço? 
Está alinhado com meus valores? 
Vai me ajudar a chegar onde eu desejo?

2 — Não planeje demais. Ouça a sua intuição e vai lá e faz.

3 — É só se movimentando que você vai saber o próximo passo. A vida não muda se ficamos parados só planejando os sonhos. Se mexa! Faça qualquer coisa que fizer o mínimo de sentido. Não fique parado, esteja em constante movimento. Depois olhe para as situações que você se colocou e reflita o que elas tem em comum. Isso vai te ajudar a encontrar o fio condutor da sua vida, ou seja, o resultado de todo seu movimento.

Como disse Steve Jobs “Você tem que confiar que de algum jeito os pontos vão se conectar no seu futuro. Você tem que confiar em algo — na sua intuição, no destino, na vida, no carma, ou qualquer outra coisa. Isso nunca me deixou na mão, e sempre fez a diferença na minha vida.”

Aproveito para fazer um agradecimento especial a três pessoas que nem sabem quantas portas me abriram. Agradeço ao Davi Hertz, por ter falado para eu fazer o curso Usina de Ideias. Lá eu conheci o Henrique Pistilli, que me apresentou a Antroposofia, uma filosofia que tenho como base do meu trabalho e ampliou a minha visão de mundo. Além disso, ele me apresentou ao Jair Moggi. Agradeço por ter me aberto as portas para o desenvolvimento organizacional, a mudança de cultura e por ter me incentivado a aprofundar meu conhecimento na formação em estudos biográficos na Associação Sagres, em Florianópolis.


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