[Fiz a Travessia] Deixei grandes agências para expressar meus diferentes potenciais

A entrevistada de hoje é Thaysa Azevedo, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

Nome: Thaysa Azevedo

Idade: 34 anos

Antes fazia: publicitária, trabalhei em grandes agências de publicidade na área de planejamento estratégico e no SBT, com desenvolvimento e ativação de produtos.

Hoje faz: impulsionadora de Transformações NaSala, Cultural Hacker na Dervish Cultural Insights, idealizadora do projeto TrendBeats, DJ, produtora de eventos, propagadora da cultura indígena, escritora, canalizadora e palestrante.

1. Por que você faz o que você faz hoje?

Sempre tive dentro de mim a certeza de que vim realizar algo de grande relevância para o mundo e que iria trabalhar com pessoas. Percebi que o caminho que eu estava seguindo dentro das organizações tradicionais não me levaria a este chamado do coração. Entendi então, que eu precisava ser a principal impulsionadora da minha realidade. Me desfazer de toda e qualquer amarra que me impedisse de colocar em prática o meu propósito. Hoje, posso estar em diferentes lugares e atuar de diversas formas, expressando todos os meus potenciais. Me sinto livre para SER.

2. Por que você decidiu sair da onde estava?
Me formei em comunicação e entrei para o mercado de agências de publicidade, pois este é o movimento de praxe de quem se forma e tem como objetivo exercer a profissão. Por um tempo, atuei como planejadora estratégica, pois amo estudar sobre pessoas e analisar movimentos relativos a cultura e a sociedade. Depois, fui para a televisão trabalhar com desenvolvimento de produtos. Honro e agradeço tudo o que aprendi nos 12 anos vivenciados nas grandes corporações, mas assumi o fato de que nunca me encaixei neste sistema.

Falta de humanização, hierarquização excessiva, centralização, superficialidade, pressão, sobreposição de interesses pessoais ao objetivo do negócio, falta de significado, injustiça e relação de poder sobre a vida do funcionário somavam um leque de valores e atitudes que feriam a minha alma. E quanto mais eu crescia, mais era obrigada a entrar na dança e atuarconforme a música. Se de um lado, a linha do gráfico relativa a minha condição de suportar tudo isto ia descendo, do outro, a linha que representava a conexão com a minha essência e meus valores primordiais ia subindo. Até que esta forma de me experimentar no mundo tornou-se insustentável e eu tive a coragem de me abrir para todas as outras formas que faziam o meu coração vibrar.

3. Como fez essa mudança?

Costumo dizer que os projetos paralelos são os melhores amigos daqueles que querem se empreender. Foi por meio deles, ainda atuando como publicitária, que comecei a experimentar caminhos para os quais apontavam o meu coração.

Em 2011 me apaixonei pelo termo Progresso Compartilhado da rede Do Lado De Cá e comecei a levantar esta bandeira junto com a criação de ideias que defendiam uma nova Era da Interdependência, estudando cases que na época já apontavam para toda esta realidade de economia colaborativa, capitalismo consciente e a lógica do “todos ganham”. Cheguei a dar palestras e entrevistas para alunos de pós e da graduação de universidades, incluindo USP e UnB e a criar uma fanpage no facebook sobre isso. Muitos chegavam a dizer que eu estava sendo utópica e idealista demais e hoje estamos vivendo de forma bem intensa e profunda esta realidade.

A partir das ideias que eu elaborava a respeito da Era da Interdependência, surgiu um coletivo com alguns amigos, chamado Polline, que tinha como objetivo observar e acelerar movimentos potenciais na cultura e nas artes. Desta iniciativa, emergiu um projeto de festa áudio-visual na cidade de São Paulo chamado Colors’n’Beats, que me levou para a discotecagem e que depois transformou-se no projeto TrendBeats.

Decidi então, me experimentar artisticamente como DJ e produtora cultural ao longo dos últimos 5 anos (parte deles ainda atuando no mercado da comunicação), ao passo que há 3 dei início aos meus movimentos proprietários como autônoma, resgatando todas as minhas crenças relacionadas a uma nova lógica de atuação mais horizontal. Deste movimento, se deu a cocriação do NaSala, um espaço para livres interações em fluxo, além de minha entrada na consultoria em rede Dervish Cultural Insights.

Atualmente, além de atuar nestas duas redes cocriando projetos inovadores, baseados no aprofundamento das questões humanas a fim de impulsionar transformações, sinto prazer em ajudar na propagação da cultura indígena, que representa a nossa ancestralidade brasileira, e a expressar o meu talento com a música por meio da discotecagem.

O que posso dizer é que, como resultado deste meu caminhar, eu passei a fundir todos os meus potenciais e paixões às minhas ações, tornando-me um melhor protótipo de minha essência.

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4. Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

O mais difícil no meu processo foi aprender a olhar para dentro. Entender minhas raízes, o ponto em que eu me encontrava e ter a coragem de dar um passo a mais para a minha evolução nesta existência. Não é uma tarefa fácil e não acontece da noite para o dia. É um processo muitas vezes doloroso, que me fez quebrar verdadeiros paradigmas, me libertar dos interesses externos e gerar a força necessária para arregaçar as mangas e me jogar.

Me libertar dos interesses externos foi uma decisão que me levou a um afastamento temporário de pessoas que eu amo e que, por vezes, ainda se faz necessário. É muito difícil me manter em equilíbrio num processo de conexão com a própria essência num mundo que está, em grande parte, desconectado. Eu passo a ser uma estranha em meio a olhares reféns da matrix. Ter que dar explicações sobre passos que não estão totalmente claros nem para mim mesma no meio do meu processo de descobertas, é um desgaste desnecessário.

Outro desafio importante foi passar a acreditar em meu próprio potencial. Mais do que acreditar, a sentir essa força motora e realizadora que existe dentro de mim. E isto só foi possível, porque eu fui me conectando — apoiando e sendo apoiada — por pessoas que estavam e ainda estão passando pela mesma situação que eu. Neste movimento, acredito que vamos formando comunidades de famílias de almas. Pessoas que a gente escolhe caminhar junto por afinidade e propósito.

Comecei a desenvolver projetos que tinham oportunidade de retorno financeiro a partir do meu segundo ano de transição. Mas, está sendo no meu terceiro ano que minhas iniciativas começaram a amadurecer enquanto projetos rentáveis e tenho a certeza que 2017 será um ano de aterrar a minha confiança neste quesito.

Sinto a importância de frizar que a questão da grana para mim é tida como consequência. Primeiro o caminho do coração foi se delineando, depois o pensamento de como gerar retorno foi ganhando forma. A entrada financeira é uma consequência.

6. Qual problema (do mundo) você está ajudando a resolver através do seu trabalho?
O Nasala é uma iniciativa que nasce da nossa abertura para viver o fluxo e é nisto que eu e meus 5 sócios acreditamos. Não penso que vá resolver um problema, mas sim levar inspiração para novas formas de atuação. Nossa proposta é despertar para a consciência de que estamos presos ao modelo de mundo que nós mesmos criamos. Estamos presos às realidades de poder e controle que nos cercam e isto está nos adoecendo cada vez mais. Viver no fluxo é nos sentirmos livres e dentro de um movimento sincrônico incrível junto a outros seres humanos, a natureza e o universo.

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7. Qual futuro você está ajudando a criar?

Um futuro com pessoas que estão conectadas com a própria essência, com o outro e com o planeta na frequência do amor.

8. Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Olhe para dentro! Sempre ouvi que temos que ter um uma referência a seguir, alguém que já chegou onde queremos chegar e que serve de “guia” para o nosso caminho. Mas, a partir de minha experiência passei a entender que este mundo novo que a gente quer ver nascer, que estamos construindo “do zero”, não tem descobridor de linha de frente. Sou eu e você que estamos trabalhando nos alicerces e a verdadeira inspiração para esta construção está dentro de cada um de nós.

> Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.

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