[Fiz a Travessia] Deixei o emprego para ter mais liberdade nas minhas escolhas

Tati durante workshop Revolução da Empatia

Nome: Tati Fukamati

Idade: 28 anos

Antes fazia: Coordenava projetos de sustentabilidade em uma empresa de consultoria e educação executiva

Hoje faz: Fundadora do projeto “Revolução da Empatia” e colaboradora de redes de sustentabilidade e inovação social.

1. Por que você faz o que você faz hoje?

Por amor. Pela responsabilidade de ajudar a criar o mundo no qual eu quero viver e quero que todos vivam. Por acreditar que a empatia é uma das chaves para a construção de um mundo mais sustentável, pacífico e colaborativo.

2. Por que você decidiu sair da onde estava?

Porque em um determinado momento simplesmente deixou de fazer sentido. Eu trabalhava em uma organização com um propósito muito forte e bonito (de elevar o nível de consciência das organizações), mas depois de alguns anos eu comecei a sentir falta de encontrar a minha própria causa. Comecei a sentir que precisava me colocar no mundo de forma mais autêntica.

Além disso, sinto que não combino mais com esse modelo de trabalho tradicional, no qual uma pessoa se dedica somente a uma organização, 100% do seu tempo de trabalho. Acredito em modelos com mais liberdade e autonomia, em rede, em que possa criar meus próprios projetos e colaborar em projetos de outras pessoas e organizações. Liberdade de escolhas!

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3. Como fez essa mudança?

Desde o momento que comecei a sentir que queria largar meu emprego até a saída de fato, se passou um ano. A primeira etapa foi de muita reflexão interna e conversas com pessoas importantes que poderiam me ajudar. Quando senti que, uma hora ou outra, eu acabaria pedindo demissão, comecei a me preparar para essa transição.

Comecei a preparar o terreno com algumas pessoas (tanto no trabalho, quanto na família) e comecei a guardar dinheiro. Além disso, comecei a investigar mais sobre o “campo” que pretendia atuar: pesquisei sobre algumas organizações e projetos, convidei pessoas interessantes para almoçar ou tomar um café e conversei com pessoas que já haviam feito essa transição. Depois da minha demissão, outro processo se iniciou. Foram alguns meses tateando o que faria a partir daquele momento, conhecendo gente e ampliando a minha rede e minhas possibilidades.

Fiz também o Programa Travessia, que me ajudou muito nesse processo. Me ajudou principalmente a perceber que eu precisava começar, que mais do que planejar todos os próximos passos, eu precisava simplesmente dar o primeiro. E daí a coisa deslanchou.

4. Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

O primeiro grande obstáculo foi desapegar daquilo que era conhecido e confortável: um emprego do qual eu até gostava, relações muito próximas com as pessoas, um ótimo salário…

O segundo obstáculo foi acreditar em mim mesma, acreditar que eu tinha competência e potencial para fazer esse novo caminho dar certo.

O terceiro grande desafio foi começar algo novo, desconhecido. Dar a cara a tapa, sozinha (sem a chancela de uma organização prestigiada) e assumir a responsabilidade de um novo projeto, só meu, com obrigações completamente novas para mim.

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5. O que te ajudou a passar por cima dos desafio?

Para mim, o mais importante foi ouvir a minha intuição. Muitas pessoas diziam que eu era louca de largar um emprego tão bom sem ter nada concreto em vista (outro emprego engatilhado ou um projeto já estruturado). Mas minha intuição sempre me disse que esse era o caminho a seguir e eu soube escutá-la e honrá-la. Acreditar em mim mesma também foi muito importante. Nessas horas, autoestima é fundamental, você precisa se olhar no espelho e acreditar que você é sim capaz.

Além disso, ter pessoas que te apoiam e que te ajudam nos primeiros passos é fundamental. Pude contar com pessoas próximas (meu marido, meus pais, alguns amigos) que sempre me deram apoio e segurança e com pessoas que conheci pelo caminho e que acreditaram em mim, me ajudaram e abriram portas.

5. Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

A grana ainda é uma questão. Não ter mais um bom salário caindo todo mês na minha conta ainda é a parte mais difícil. Ter feito uma reserva antes de pedir demissão me ajudou a segurar as pontas nos primeiros 8 meses. Depois ela acabou e veio a primeira crise de (quase) desespero. É assustador olhar para a sua conta e não ter nada lá. Mas nesse ponto, eu já tinha feito tanta coisa e conquistado tantas outras, que desistir de tudo já não era mais uma opção. Mas não faltou dinheiro até agora. A grana que tem entrado tem sido o suficiente para pagar as contas até agora. É meio “vender o almoço pra comprar a janta”, mas tá indo. As perspectivas para esse ano são boas e acredito que agora a questão da grana vai melhorar, mas ela ainda não deixou de ser a parte mais difícil dessa transição. Ah, acreditar na abundância e ter fé de que não vai faltar também ajuda muito!

6. Qual é o seu propósito?

Criar uma verdadeira revolução da empatia e contribuir para a criação de um mundo mais sustentável, colaborativo e pacífico.

7. Qual problema (do mundo) você está ajudando a resolver através do seu trabalho?

De verdade, acredito que quase todos. A falta de empatia está na raiz de muitos dos grandes problemas que enfrentamos hoje em dia (guerras, preconceitos, desigualdades, falta de coletividade… até mesmo mudanças climáticas). Acredito muito que ao criar uma sociedade mais empática, estaremos caminhando para a solução de todos esses problemas.

8. Qual futuro você está ajudando a criar?

Um futuro com mais amor, mais compreensão e mais respeito às diferenças. Um futuro no qual as pessoas se olham nos olhos, se aceitam e se ajudam. Um futuro no qual todas as relações importam, uma vez que compreendemos que somos todos parte de um mesmo grupo e que estamos todos conectados. Um futuro com menos violência, menos intolerância, menos desigualdade, menos individualismo. Um futuro mais sustentável, pacífico e colaborativo, no qual todos sejam felizes.

9. Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Escute, honre e respeite a sua intuição. Sempre. Aceite seus medos e se mova junto com eles. Nada na vida é permanente. Se der tudo errado, sempre existirão outros caminhos. Comece. Não espere tudo estar estruturado e planejado para começar. Dê o primeiro passo, aprenda com ele e continue. Tudo vai se ajeitando ao seu redor. Aprenda a viver com menos (ainda um desafio pra mim). Se cerque de pessoas do bem. ;)

> Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.

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