[Fiz a Travessia] Larguei a carreira de modelo para ajudar a elevar a autoestima de pacientes com câncer

A entrevistada de hoje é a Flavia Flores, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

Nome: Flavia Flores

Idade: 38 anos
Antes: Modelo, desenvolvimento de produto, comercial e marketing

Hoje: Idealizadora do projeto e Instituto Quimioterapia e beleza

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Flavia Flores: Aos 35 anos eu fui diagnosticada com câncer de mama e como eu sempre trabalhei com moda, achava que o tratamento seria mais fácil de enfrentar se me reconhecesse no espelho. Comecei a procurar na internet matérias ou tutoriais ensinando como ficar bonita durante o tratamento, mas não encontrei nada! Eu tinha dúvidas básicas: Como usar o lenço sem ficar com cara de doente, como colar os cílios postiços ou fazer as unhas durante o tratamento. Eu sei que a autoestima elevada é o segredo de um tratamento bem sucedido.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Flavia Flores: O negocio é que eu não queria mais voltar pra onde eu estava antes da doença. Depois de 18 meses de quimioterapia e 28 radioterapias eu percebi que muitas mulheres se espelhavam em mim e eu era referência pra elas. A cada 21 segundos uma mulher é diagnosticada com câncer de mama no mundo e esses casos não vêm diminuindo, muito pelo contrário, eles vêm crescendo assustadoramente. E cada vez mais mulheres precisarão desse apoio, que pode parecer futilidade, mas faz toda a diferença no tratamento de cada uma delas. Elas têm que se gostar durante o tratamento.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Flavia Flores: Foi natural. Após o tratamento eu não voltei para o mercado de trabalho, segui com minha missão: levando a moda pra dentro do tratamento das pessoas.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Desafios foram muitos. Desde falta de apoio financeiro até falta de profissionais para me ajudar nesse projeto. Foram 2 anos testando e apostando com recursos próprios e hoje posso dizer que tenho uma equipe muito especial ao meu lado que estão dando forma, sustentabilidade e robustez ao QeB.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Flavia Flores: No começo foi bem difícil, tive apoio de empresários e instituições — mas nada muito substancial a ponto de eu poder fazer tudo o que eu gostaria de fazer, estar aonde eu precisaria estar e chegar a tantas pacientes que precisariam conhecer o meu projeto.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Flavia Flores: Desmistificando o câncer a ponto de ser olhado como uma doença comum, que pode acontecer com qualquer um. Provando que um paciente oncológico pode ter uma vida o mais normal possível, passeando, curtindo, consumindo; sem se esconder, sem vergonha e com muito mais força para enfrentar essa batalha. De cabeça erguida.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Se você consegue ajudar uma pessoa a superar uma adversidade, o seu trabalho já está prosperando e ele tem que ser multiplicado. Você faz a diferença! Então acredite, tenha pessoas apaixonadas na sua equipe porque juntos vocês terão que encantar muita gente e assim conseguir recursos e meios para concretizar o seu trabalho. Boa Sorte.


Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça para do Programa Travessia.


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