#BBB17 E A NOITE DA CAÇA ÀS BRUXAS

Quando a água da casa foi cortada pela primeira vez, Luiz Felipe (sempre ele!) decidiu culpar Marcos à revelia. Na altura, o Novinho não suportava o Veterano (lembrando que a diferença de idade entre eles é de nove anos. Só cronologicamente, óbvio!) e, por isso, resolveu incutir toda a responsabilidade ao médico.

Não contente em primeiro espalhar pela casa quem era o presumível autor do crime que motivou a punição (teoria que acabou desmentida pelo apresentador durante um ao vivo), para somente depois averiguar a veracidade dos fatos, LF resolveu confortar Marcos a respeito. Além de receber uma negativa (rapidamente ignorada, claro!), o acusador ouviu um conselho do réu: de que deveria cessar a caça às bruxas, já que não levaria a nada bom para ele mesmo…

Este fato foi repercutido pela casa durante dias. Ao invés de agradecer pela dica ou, ao menos, refletir sobre, LF levou os colegas de confinamento e o público do PPV à loucura ao repetir à exaustão uma versão equivocada do acontecido. Dizia-se perseguido e ofendido pelas palavras de Marcos.

Na leitura primitiva de LF sobre tudo o que envolvia o jogo, o outro o havia chamado de “Caçador” e isso só poderia indicar uma coisa negativa. Enfim… O final da história todos nós conhecemos! Lembrei-me deste episódio ao assistir ao programa que culminou na terceira eliminação da temporada. Uma vez que, no meu entender, ocorreu algo muito semelhante: uma “caça às bruxas” vinda de quem menos deveria empreendê-la.

A FAMÍLIA ELIMINADA: OS DESTAQUES DA NOITE

Os VTs da edição em que Luiz Felipe deixou a casa com recorde de rejeição, quase 74% num paredão triplo, foram levemente mais extensos do que das vezes anteriores. Neste sentido, é curioso notar o grande destaque o próprio eliminado teve durante o tempo inteiro em que o programa esteve no ar.

Além de ter o perfil brevemente traçado na abertura do primeiro bloco (o que não aconteceu para as emparedas Vivian e Mayara na semana anterior), LF recebeu um outro de cunho mais engraçado (?) no meio do programa. Além disso, figurou em outro quadro infeliz (de Rafael Cortez, sobre o qual me deterei a seguir) e teve uma cena especial acrescido à edição, com a devida explicação do apresentador, destacando que tinha ocorrido pouco tempo antes do programa entrar no ar: Ieda chamou Luiz para fazer as pazes e se despedir dele diante da eminente eliminação. O rapaz chorou e aceitou o pedido, porém não o retribuiu, colocou-se mais uma vez como a vítima da situação. A postura de LF durante este acontecimento só demonstrou o que ele sempre foi dentro da casa. Se a participante mais velha da edição não tivesse se aproximado, ele sairia cheio de razão e magoado.

Por extensão, a mãe de Luiz acabou se tornando “voluntariamente” outra estrela da noite a cada interação com o apresentador. A ponto de ter o nome elevado aos TTs do Twitter. Ela deu um show de arrogância e mau humor, principalmente quando preferiu “não opinar” sobre Ieda.

Numa das vezes em que o apresentador falou com ela, como de praxe no contato com as famílias, ao invés de mandar um recado para o filho num momento crucial, dando quiçá uma dica para que ele se arrependesse de alguma coisa perante os colegas, a progenitora preferiu mandar beijos para Nalva e Daniel. É interessante que, para a mãe, estes dois jogadores extremamente ensaboados e sem vida própria eram os “anjos” do filho.

Esta escolha, talvez, evidencie a preferência por uma postura indulgente com Luiz, uma vez que, nos episódios espinhosos nos quais ele se meteu, ambos se restringiram a passar a mão na cabeça dele. A partir da leitura do programa feita pela mãe de LF como um todo, é impossível não pensar que as atitudes controversas tomadas por ele dentro da casa foram apenas manifestações do modo como foi criado.

Para coroar a noite de todos os equívocos, tivemos a acolhida ao eliminado. Mesmo diante do quadro desfavorável, da divulgação do percentual de rejeição e ciente de todas as notas contrárias ao comportamento do filho, Dona Rosa, ao abraçar o rapaz, foi muito superficial. Na emoção do reencontro, não acho que caberia um puxão de as orelhas, nem haveria tempo para uma breve orientação do que responder ao apresentador e aos demais jornalistas que viriam na sequência. Porém…

O microfone de LF permitiu que ouvíssemos apenas a mãe dizer: “você é o homem mais bonito do mundo”. Ao que tudo indica, não foi somente o concorrente que deixou de entender do que o BBB é feito. De que, apesar de ser televisionado e apelar para a plástica, o reality show é um jogo de convivência no qual os valores são colocados em cheque muito mais do que o invólucro.

ALÉM DE LF E SUA MÃE, A FAMÍLIA SILVA TAMBÉM FOI ELIMINADA?

Como muito bem apontado por @chicobarney, ainda durante a exibição do programa de ontem, não tivemos que assistir ao quadro medonho da Família Silva, os marionetes mais sem graça dos últimos tempos. Ao que parece, ou sobrou bom senso, ou não houve espaço na arte para exibição da criação mais sem noção da temporada. Talvez, talvez, o bom senso tenha prevalecido, já que, nas duas vezes em que foi exibido, o novo apresentador viu-se obrigado a pedir à plateia que o rodeava e que se mostrou indiferente ao término do que deveria ser engraçado.

Ao invés de quadros de pseudo-humor, por que o comando do #BBB não chama especialistas no comportamento humano, vários deles, para comentarem as imagens? Ao menos nos debates da #RedeBBB, seria interessante a experiência.

LF E O LEGADO PARA QUEM FICA NA CASA

Analisei nos pormenores o que vi e senti no programa de ontem sobre Luiz porque o tamanho do espaço aberto para ele pela edição deixa claro que a edição/produção/direção agora tem um problema: uma lacuna a ser preenchida. Nos últimos dias, o alagoano puxou para si muitas das atenções, disparando a cada hora impropérios que viralizavam rapidamente. A grande quantidade de momentos exibidos sobre LF ontem mostraram o quanto a edição iria investir nele (resolveram gastar tudo de uma vez!). A verdade é que, lá e cá, ninguém passou impune ao que ele fez. Mas… E agora?

Na noite da eliminação de Mayara e nos dois dias seguintes, a edição do #BBB17 insinuou a existência de um triângulo amoroso entre Marcos, Emilly e Luiz. Sem este último participante, o plot manjado (clichê de novela) caiu por terra. O showmance dos dois está em vias de se concretizar. Mesmo que ainda não tenham rolado cenas de beijos ardentes e movimentações sob o edredon, a simples sugestão de um envolvimento amoroso já um dos assuntos mais comentados. Todavia…

Emilly foi claramente responsabilizada pela eliminação de Luiz. Pelo público? Não! Este se regozijou com a ida dele ao paredão! Ansiava por isso desde que ele ganhou o poder por ser o mais “inútil” da casa. Para quem arquiteta o programa, porém, ele ainda era muito útil. E, por isso mesmo, a gaúcha acabou sendo vítima de quem comanda o programa!

Não quero discutir aqui, neste momento, os atos de Emilly em si, em especial os relacionados a Marcos. Para mim, tudo o que a gêmea faz é estimulante para quem assiste. Assim como Luiz, ela gera conteúdo e, por isso mesmo, acho pesaram excessivamente na mão nas características que foram coladas à imagem dela. Se, na semana passada, ela foi comparada a icônica Anita, da minissérie de Manoel Carlos, nesta, durante o quadro humorístico (?) de Cortez, ela foi taxada de Angel.

A alusão à personagem principal da minissérie “Verdades Secretas” é muito complexa e injusta, para dizer o mínimo. Se, por um lado, subliminarmente indica que ela é tão protagonista do reality show quanto Anita e Angel foram nos produtos dramatúrgicos; por outro, expõe um julgamento machista a respeito do poder que ela exerce dentro do confinamento. Ao comparar os expedientes narrativos, porém, a edição “esquece” o liminar entre realidade e fantasia.

É justo que Emilly seja comparada a uma prostituta que traía a mãe com o padrasto e que, no final, acaba por assassiná-lo e dar um golpe do baú? Acho pesada demais esta comparação! Assim como, reduzir uma participante tão complexa como a gêmea ao clichê de “ninfeta” é recorrer a um trabalho frouxo e pouco criativo e que, acima de tudo, coloca o público do programa como um telespectador incompetente, incapaz de chegar às próprias conclusões sobre o que está vendo. Neste sentido, a direção/produção/edição sacrifica as chances da participante para conquistar quem acompanha o reality em nome de um didatismo narrativo primário, que sacia quem mesmo?

QUEM É EMILLY?

O quadro com analistas comportamentais ajudaria a responder a questão. Tiraria um pouco deste teor meramente especulativo que pipoca por todos os lados. Ela gosta mesmo de Marcos? Há indícios? Por que o rosto dela não mexe quando mente? E por aí vaí…

A protagonista do filme “A Bruxa” seria uma melhor comparação para Emilly. No longa, a jovem é responsabilizada de todos os males da família. E, sem dar spoiler, fica sempre a dúvida sobre o que vem primeiro: a conduta observada ou o julgamento.

Emilly usa sim de manipulação, sedução para avançar no reality show. Essas são as “armas” dela no jogo. #BBB17 deveria ser encarado como um jogo de confinamento. As votações desta edição mais do que nunca provam que o público está pronto para receber este formato. Antes da estreia, foi prometida uma revolução, uma renovação. Porém, a direção/produção/apresentação insiste em retomar aos esquemas antigos da novelização, do escárnio com quem participa e da prêmio do “coração bão”.

Nas três vezes em que interagiu com a casa, o apresentador fez questão de cutucar a participante e questioná-la por todos os lados a respeito do porquê não ter dado a imunidade do Anjo ao “fiel protetor e dublê de cunhado”. A mim, soou quase como uma retaliação por ela ter o poder em mãos e não ter salvado a parte mais frágil do triângulo que tanto desejavam para preencher os VTs diários.

Emilly tem muito mais a oferecer do que um entrecho amoroso. Bravamente, ela está arregimento os outros participantes mais novos (cada vez mais acuados, já que perdem um integrante de seu grupo a cada semana) para o embate com os mais velhos, sem, contudo, deixar de conviver com eles e mesmo usá-los para seus propósitos. Só isso já bastaria para dizer o quanto ela é mais interessante do que a “ninfeta” que querem traçar.

Resumo da ópera: Vamos ver o que nos resta! Os participantes são contraditórios, controversos, complexos! Rendem comentários o tempo todo. Enquanto o elenco é estimulante, o comando do reality ainda tateia. Diz-se pautado pelas redes sociais, porém tem evitado colocar os concorrentes em situações limite. Abrir mão de um jogo da discórdia para fazer uma caça ao tesouro… Sério?

Além disso, é desanimador:

1) o excesso de informações vazadas para dentro da casa. Fora terem ouvido a torcida de Marcos ontem (o que certamente influenciará como os colegas o vêem), as opiniões dadas pelo novo apresentador ditam como eles estão sendo vistos pelo público. “Roberta, a gente viu você falando da comida da sua tia…”. “Emilly, você me surpreendeu agora com o anjo…”. “Pedro, você agora vai ter que se comprometer…”. “Manoel, fiquei com pena de você”. E por aí vai!

Pra que confinamento se os participantes sabem o que precisam saber se forem minimamente inteligentes a respeito do que o apresentador fala?

2) o modo como Daniel é elevado a cada novo ao vivo ao status de peça fundamental do jogo, sendo que ele não faz nada além de se vitimizar e pagar de Paizão e Conselheiro dos Mais Novos (quem ali além de Manoel o escuta?), em detrimento de Pedro, outro jogador em potencial, que tem deixado o medo de lado, mas que, na mesma medida, tem sido “queimado” pela edição. A pergunta é: por quê? O que o Big Boss aposta tanto, desde o início, no apático e medroso agente de trânsito e, de uma hora para outra, resolveu “satanizar” o jornalista que movimenta o jogo? Bruxo por bruxo, prefiro o que prepara a poção ao que fica recitando magias que não chegam a nada!

3) a edição morde-e-assopra que as bruxas Roberta e Elis recebem, já que ambas agem de forma parecida, mas a primeira recebe sempre o benefício da engraçadona. Particularmente, divirto-me mais com a segunda, que não reduz o contado a um grupinho. Elis desestabiliza a casa toda. Faz alianças com todos e sempre as trai na hora da votação. Uma participante muito interessante de acompanhar (não só por isso, mas também).

4) Rômulo ter recebido um VT tão pejorativo. Sob a aparência de exaltação de suas boas qualidades como diplomata, para mim, soou agressivo o cunho panfletariamente político do perfil traçado para ele. Não corresponde a quem ele é! As decisões tomadas por Rômulo no jogo, as conciliações que ele promove, são muito menos populistas e vitimizadoras do que as de Daniel, por exemplo. Levar o discreto Rômulo ao público da tevê aberta como um “candidato em campanha” é dar cabo das chances dele ao prêmio, ainda mais diante da situação política que vivemos, na qual (na caça às bruxas aqui fora, não basta ser, tem que parecer).

Acho que, sob este contexto, explica-se a preferência do público por Marcos. Diante da total crise de valores em que vivemos no Brasil, oportunizada por uma avalanche de escândalos políticos, o médico (figura icônica no imaginário popular) simboliza o resgate aos bons valores. Talvez, por isso mesmo, tanta gente esteja arrancando os cabelos por sua ligação com Emilly, a mulher fatal, capaz de colocar tudo a perder.

Não o prêmio que Marcos pode ganhar, mas a projeção do homem ideal (íntegro, justo, honesto, prestativo, bom caráter…) que tem sido feita por parte da torcida dele. Muita gente quer Marcos pra si, mas não permite Emilly querer? Se que o mais importante não seria ver o que ele quer? Não falo apenas da gêmea, mas da responsabilidade em simbolizar a “salvação da nação”. Será que Marcos gostaria deste peso todo sobre ele?

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