MPB retorna a TV por meio do Canal Bis

Bis leva diversidade e toda a forma autêntica da MPB para as telas dos assinantes de TV à cabo.

O canal que está no ar há (quase) cinco anos deu seu “start” sob o nome de Bis Multishow HD para ser um simulcast, que funciona como outra faixa do domínio a fim de na grade transmitir simultaneamente eventos e estender conteúdos da Multishow.

A ideia era apenas expandir o que vinha dando certo para um outro local, sintonizar o público fiel em outra faixa e cuidar. Até que veio a reviravolta. Depois de desprender-se do nome provisório em novembro do mesmo ano de criação, para Bis, o canal ganhou força com iniciativas despretensiosas e diferentes do carro chefe.

Hoje a marca, o que eles representam e o seu público são bem claros. Mas como todo o processo aconteceu?

Inclusão da MPB

A música quando não é comercializada ou entra no padrão desenvolvido à massa, passa a definir seu espaço fora do meio de comunicação tradicional. Foi assim no início do samba e quando a MPB escrevia no período da ditadura e via sua voz rejeitada em festivais, entre vários outros momentos da história da música.

No caso da MPB: um tempo foi vaiada e outro jogada no esquecimento pela televisão.

É claro que hoje, o gênero é muito mais bem recebido e exaltado na boca de quem viveu com ela o movimento do passado e por uma segunda geração que aprendeu dos pais um estilo carregado de verdade. E para aqueles que não tiveram nenhum estímulo? Seja para decidir gostar ou não? O que a TV, Rádio e Cinema podem fazer a respeito?

A rádio ainda mostra algo, como programas ou a própria extinta esse ano, MPB FM. No entanto, na TV aberta ‘é quase’ nula qualquer referência. Em um cenário como esse, projetos da TV à cabo tomam a frente para dar alguma representatividade e espelham-se no sucesso da campanha do BIS.

Programas

Entre as formas que o BIS procura exaltar a brasilidade, além dos documentários, está formatos de homenagem como: Inesquecíveis da Música Brasileira e Versões. O primeiro traz figuras importantes para interpretar grandes nomes, enquanto o segundo apresenta o repertório escolhido por um cantor da atualidade de um artista que admira.

E se você pensa que o sucesso fica só nas telas está errado.

Com um ambiente tão produtivo assim é claro que sempre há uma deixa aberta e foi o que aconteceu com Silva. Depois dele performar as músicas de Marisa Monte em sua participação no Versões, a cantora entrou em contato agradecendo a escolha e estendeu seu convite para vir ao Rio. Nos encontros no estúdio nasceu o álbum, Silva canta Marisa. Ele como já diz o nome conta com o repertório da cantora na voz de veludo de Silva e de quebra traz a faixa inédita Noturna, que cantam juntos.

Para conhecer mais a fundo os artistas e sua obra, temos a surpresa que funciona super bem, “Vamos Tocar”. Leo Gandelman (apresentador e produtor musical) conduz a entrevista com o convidado de maneira cativante e ainda de bônus libera o estúdio de sua casa para gravar músicas do artista, dando seu toque especial nos instrumentos de sopro.

Já “Mulheres do Brasil” é também na linha de bate papo, porém com cantoras (também compositoras) sobre sua carreira e seu espaço na música. Elas contam desde as letras às raízes e dificuldades. Ótimo projeto de reconhecimento do trabalho e da contribuição delas que deu certo.

No geral, a programação idealizada mostra um apreço e cuidado de entregar um leque vasto de estilos, não para qualquer público, mas precisamente para as pessoas carentes que não encontram seus artistas e gostos representados em muitos lugares.

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