Alguma coisa impossível de engolir no não que eu deixei de dizer. Eu devia ter dito: não. Eu não gosto assim. Você está me machucando.

Por que eu engulo? Que merda, que merda isso. Eu que sou alguém de quem se espera nada menos. Não é assim ou estou viajando?

Ontem eu li todos os textos da minha ex namorada pensando: ela escreve bonito, né. Que pena que não deu.

Ela engordou, cortou o cabelo. O sorriso igual, desde que terminamos e ela já namora outra mulher agora.

Sinto o peso de uma sinusite, minha cabeça inclinada sobre esse caderno e lembro: odeio lapiseiras.

Essa idade é terrível e muito miserável, 24 anos, ou todas as idades são terríveis e eu que não sabia?

Minha irmã me disse hoje de manhã, entre os pães e o chá, dela, e o meu café:

Aristóteles (e eu pensei, nossa!, quanto tempo não citamos aristóteles), diz que é preciso ter vivido algum tempo para poder fazer julgamentos razoáveis. Ele diz isso em contraponto a Platão. “Para Platão, escolhemos o bom se conhecemos o bom”. Mas isso não explicaria o cigarro, ela disse, me olhando sem julgar.

Meu pulmão pesa, “sim, as pessoas sabem que fumar não é bom”. Respiro de boca entreaberta.

Tenho que escrever, penso. Estou atrasada. Me atrasei em tarefas que eu deveria estar fazendo mas ao invés disso eu estava com você e você me machucou e eu não disse nada. Eu preciso aprender a me queixar.

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