Novos concorrentes, velhas manobras

Como o “mercado” brasileiro reage às inovações e mudanças.

“- IHHH! Rapaz, tem concorrente novo na área.
- Não dá nada, com um bom papo logo entra no cartel.
- Não sei não, é gente grande, perfil inovador, alinhado com as tendências do mercado, com foco no cliente!
- Deve ser mais caro, cobrar mais por menos, não vai cutucar o nosso.
- Pelo contrário, tem domínio sobre os processos, acordos bilaterais com fornecedores, modernização de práticas e o preço, deixa o nosso no chinelo.
- O que é que a gente faz?
- Podemos rever nossas práticas, aproximar nossos serviços e produtos com as necessidades dos clientes, buscar diferenciação…
- Não, muito complicado, teríamos que fazer investimentos, além de que, perderíamos uma bocada com nossos preços pré definidos, com a alta margem de lucro e a série de regulações que impedem concorrentes menores de se estabelecerem no mercado.
- Poderíamos investir em Marketing, buscar novas estratégias de relacionamento…
- E já viu anúncio do nosso produto na TV? Mas já sei…
- Ah é! Vai fazer o quê então?
- O que VAMOS fazer! Abre esse editor de texto ai, liga pra meia dúzia de associações que estão no cartel com a gente.
- Pra que isso!?
- Simples, falaremos em nome de algumas associações que chamaremos de “mercado” e enviaremos uma carta pedindo uma canetada pra barrar o diferencial dessa galera, nos salvaremos nosso rabo, atrapalharemos o negócio deles e continuaremos escrotizando o consumidor.
- E você acha que alguém do governo morde essa?
- É simples, metade já é lobby do nosso setor, financiamos uma campanha aqui, outra ali e tão no papo!
- Tá, mas e a outra metade?
- Tranquilíssimo, a gente inventa um papo de que as novas medidas servem pra proteger as produções nacionais, demonstramos a quantidade de impostos que serão arrecadados e logo logo a outra metade está com as pernas abertas para nós.”

Temos a herança da indústria de brinquedos, existem meia dúzia de casos em outros setores, que aumentam os impostos para o fomento da indústria nacional, e depois matam os esforços de crescimento destas indústrias. E agora, temos dois casos que merecem um alerta da população, o Uber e a Amazon.

Nas dois casos, as empresas que dominam o mercado estão se mobilizando para barrar os grandes diferenciais competitivos que estão surgindo.

E você? vai deixar que as empresas digam o que é melhor pra você? Vai deixar o governo barrar o livre mercado? Lembre-se, no final desta novela, quem paga tudo é VOCÊ!