Feliz é a Hiena, que ri da desgraça plena
Porque toda dádiva é sutil mesmo quando achamos que estamos tendo um dia ruim.

Há duzentos mil anos, um homem das cavernas, um humano que habitou o planeta quase que no tempo dos dinossauros, se perdeu na selva quando estava caçando, numa tarde em que a lua já vislumbrava no horizonte antevendo a noite, quando uma Hiena faminta, um animal de hábitos noturnos, o espiava de longe. Mal sabia ele que este não era o dia do caçador.
E, crucialmente, quando a escuridão chegou, a Hiena decidiu fazê-lo de jantar depois de muito observar aquele pobre diabo sozinho e com medo perdido na selva, longe da proteção de sua caverna, pária da sociedade cercado nesta grande área de terra coberta de árvores e vegetação densa.
O homem, desamparado diante da superioridade da Hiena, pensou em correr, mas ciente de que não conseguiria ir muito longe, decidiu lutar. Em poucos segundos a luta teve um desfecho trágico, sua lança quebrou sem consegui perfurar o animal e num ato esperançoso usou toda sua força para arremessar sua marreta de pedra que saiu voando em direção a cabeça do animal, no entanto passou foi longe do alvo.
Não tinha mais o que fazer, todas as probabilidades de sobrevivência que tinha foram perdidas, não havia mais nenhuma carta na manga, então ele olhou para o céu cheio de estrelas e permaneceu ali parado, tremendo de medo, pois já sabia o que sempre acontece neste tipo de situação. Sem reclamar, aceitou seu fardo, foi devorado ali mesmo, num jantar sem cerimônia.
Isso me fez pensar: realmente não temos do que reclamar. No dia que você achar que está tendo um dia ruim, pense nesse sujeito: Duzentos mil anos atrás, ele saiu para caçar, era o dia da caça. Ou nem era, pois ele virou a caça. Foi devidamente devorado por uma Hiena. Um bicho que come merda sorrindo. Nem a ideia de morrer sendo um quitute especial ele pôde ter.
