Um dia sem redes sociais.

Parece uma eternidade, mas o que é só um dia sem ler os grandes-não-tão-grandes problemas cotidianos das pessoas? Vai ser moleza. Pego meu celular para ajustar o despertador para às 8h da manhã, por um segundo meu deficit de atenção ataca e meu dedo vacila, quase abrindo involuntariamente o Facebook. Ok, pode ser mais complicado do que eu imaginava. Mas não posso me dar o luxo de correr o risco de dar de cara com algum spoiler da season finale de Game of Thrones. Respira.
Acordo e já estou com o celular na mão. Vejo as notificações do Instagram, pulo. Notificações do Facebook, pulo. Hoje as redes sociais são lava. Mas o que é chão? Whatsapp? Ok, mas é bom evitar grupos, nunca se sabe. "Bom dia pra quem não é fulano que morreu ontem em GoT". Não sinto que estou preparado pra ver um Tyrion dando bom dia em um gif com glitter. Pego meu Kindle. Vou lendo no ônibus até chegar na agência, descobrindo os spoilers de uma história diferente.
Normalmente eu deixo o volume da música baixo, algumas histórias de ônibus são interessantes e podem ser usadas no meu dia, mas não hoje, nenhuma conversa pode ser tão boa que valha a pena receber um jab-spoiler de direita no meu ouvido. Volume no alto.
Cheguei na agência já cometendo um grande erro: contar que eu não vi e não quero spoilers. "Nesse caso, você não vai querer saber que — ", coloco meu fone. Ligo o computador e, como de costume, abro minhas janelas, Gmail, Toggl, Whatsapp web, Facebook, não, espera, Facebook não. "O inverno chegou". Fechei a aba antes que meus olhos chegassem na imagem embaixo do texto. Droga. Até então achava que estava sendo cauteloso em demasia, mas em apenas um vacilo quase que minha missão vai pro lado de lá da muralha. Respira.
Começo a pensar quando começamos a criar reflexos automáticos que nos fazem abrir as redes sociais sem que percebamos, como era dez anos atrás e como será dez anos para frente. Ainda faltam seis horas. Facebook, Instagram e reflexos automáticos são lava.
