[Os ventos que não cessam]

Esquecemos que a vida é uma constante transição.

Tudo que aqui vivemos é transitório. A transitoriedade da vida é algo que me intriga constantemente desde os primórdios da minha existência. É um fantasma que habita o jardim dos meus devaneios. Talvez eu tenha medo. Talvez eu tenha necessidade de toda essa transitoriedade, não consigo definir em palavras, porém pensar que tudo, absolutamente tudo que nos faz haverá de chegar ao fim faz meu íntimo estremecer.

A transitoriedade da vida é algo fundamental para nossa evolução tira-nos do comodismo involuntário, impulsiona a lutar pelos nossos sonhos mas ao mesmo tempo nos priva de tudo aquilo que está inserido em nossa pele, que serve de impulso para nossa existência. É assustador, quanto menos é esperado o vento da transitoriedade passa e tira tudo do lugar. Absolutamente tudo. Sonhos são desfeitos, sentimentos são feridos, há silêncio, há lagrimas, há sorrisos, há inúmeros tantos outros sentimentos que se misturam em uma canção de alegria e tristeza que vai nos dando fôlego e ao mesmo tempo tomando o ar. Tira-nos de nós mesmos, larga-nos em um limbo entre segurar o passado e abrir mão dele para abraçar o futuro incerto.

Tudo isso acontece sem anúncio, sem piedade. Ele chega para causar estragos e fazer com que busquemos novos anseios, novas metas e aos poucos, bem lentamente, esse vento impetuoso da transitoriedade vai se acalmando. O novo homem renasce colocando tudo aquilo que o forma em seu devido lugar, definindo novos horizontes e então prossegue em sua trajetória terrena. Mas lembre-se: os ventos não cessam e muito em breve, no ócio do seu estar, ele voltará e você novamente há de renascer.