[Respeito, apoio e o mínimo]

Eu não sei se tem a ver com o tipo de criação que eu recebi, mas venho observando algumas coisas em meu cotidiano que me fazem pensar no porquê essas coisas são tão obvias e necessárias para mim e ao mesmo tempo são tão descartáveis para algumas pessoas.

Nunca gostei me expressar em redes sociais, porque atualmente as pessoas não estão aptas á ouvir, ler e muito menos tentar entender uma opinião adversa da sua. Vivemos a “ditadura dos donos da verdade”, e com isso perdemos a diversidade, deixamos de evoluir por considerar o nosso ponto de vista um norte para a vida de qualquer pessoa.

Cada indivíduo que aqui chega, passa por uma série de experiências em sua vida que o leva a ser o que é e a pensar da forma que pensa, considerar que o seu pensamento, o seu estilo de vida e os seus valores são regras é limitar um mundo inteiro a suas experiências, que nem sempre lhe resultaram em um ponto de vista positivo e saudável para o bem comum. Em contra partida se estamos aberto a ouvir, refletir e tentar entender novas ideias, nós evoluímos, absorvendo aquilo que nos agrega e descartando o que é desnecessário. É um ato muito simples e que nos agrega uma bagagem gigantesca, temos que aprender a silenciar, ouvir e acima de tudo respeitar.

Mas onde quero chegar com tudo isso? Diante deste quadro de indivíduos limitados que usam suas verdades como cabresto para andar pelas ruas, nós deixamos de lado um exercício fundamental para que possamos viver em sociedade, e vou além um exercício fundamental para sustentar qualquer relação interpessoal, que nada mais é que o exercício de se por no lugar do próximo, é uma dinâmica tão simples, não causa dor, não gera custo, e você ainda aprende com as experiências do próximo.

Uma das grandes lições que aprendi durante a minha vida foi que, quando uma mulher vir até mim e falar sobre feminismo, discriminação, estupro, machismo, sexíssimo etc. Eu como homem que nunca vou saber qual é o peso de ser mulher no mundo tenho que apenas ouvir e entender a dinâmica de vida dessas mulheres para nunca me tornar ou ser a parte opressora dessa historia, isso vale para qualquer segregação social, mulheres, negros, gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, nordestinos, imigrantes, etc. Qualquer tipo de pessoa que sofre opressão e que se sente oprimida e se expressa merece o respeito e o apoio de qualquer individuo.

A única maneira de minimizar esse quadro, não é vir aqui e expressar absolutamente nada por escrito da forma que agora faço. Talvez meu ponto de vista contribua para o crescimento de alguém, talvez não. Mas a única maneira para mudar este cenário é saindo do nosso comodismo de simplesmente aceitar os problemas como uma causa crônica.

O meio mais eficaz para minimizar a quantidade de opressores em nossos ambientes, é dar o exemplo, levar isso para o nosso dia a dia, nos colocar diariamente em pé de igualdade entre qualquer individuo, policiar as nossas ações que possam estar contribuindo para a opressão do meu próximo. Ao decorrer dos dias suas atitudes chamarão a atenção daqueles que convivem com você e talvez ali, você consiga motivar alguém a tentar evoluir também. Claro, atitudes de mudança geram desconforto para alguns, mas só através delas que conseguiremos mudar o cenário atual que vivemos, desatando as amarras que nos prendem ao nosso comodismo social de sempre esperar uma atitude de mudança no próximo e não sendo o fato gerador dessa mudança.