Charge do cartunista Jota-A

Uma semana após o escândalo com fitas, filmagens, malas de dinheiro, envolvendo o presidente Temer e um dos seus mais fortes aliados, o senador Aécio Neves do PSDB/MG, praticamente nada mudou.

Em 2 anos Temer passou de vice decorativo a golpista descartável, já que sua base aliada cogita abandoná-lo. Seus comparsas no PMDB e PSDB por enquanto seguem a seu lado, mas a debandada já começou.

Foram rápidos para apoiar a “estancagem de sangria” aceitando ministérios e cargos no governo, e colocando em pauta medidas impopulares como reformas da previdência e trabalhista, mas como baratas, fugiram ao primeiro sinal de inseticida.

Enquanto vê sua base ruir, Temer tenta se defender do indefensável: “a fita está editada” ou “não aconteceu nada”. Claro que ele goza de alguns privilégios como presidente, mas prevaricação, compra de silêncio e exigir mesada/aposentadoria da JBS de R$ 2.000.000 por mês por 30 anos é crime, e foda-se quem é você.

Do outro lado temos o Aécio, cacique do PSDB fazendo-se de coitadinho dizendo que queria apenas um “empréstimo” para pagar advogados. Dinheiro sujo para se defender das acusações de corrupção e dinheiro sujo, mas claro que com ele nada aconteceu. De novo. Seja por ter sido parado pela lei seca, acusações de caixa 2, abuso de poder em MG, desvios em Furnas. A irmã foi presa, o primo foi preso, mas ele continua em casa.

Enquanto isso temos o deputado Rodrigo Rocha Loures do PMDB, o homem de confiança do presidente que recebeu a mala de R$ 500.000 e foi para Nova York junto com o prefeito de São Paulo João Dória do PSDB. Quando voltou o circo estava armado e o dinheiro seria depositado na conta de uma das empresas do senador do PMDB Zezé Perrela. Por sinal, esse senador é o proprietário daquele helicóptero apreendido com quase meia tonelada de pasta base de cocaína 2013.

Os responsáveis pelas gravações, os irmãos donos da JBS confessaram que compraram mais de 1800 políticos, 1/3 dos deputados e senadores, e 2 juízes no STF. Também estão soltos e como disse Luis Felipe D’avilla no Roda Viva: “Delação premiada virou passaporte para a impunidade”.

Temer disse que não renunciará com as denúncias, se quiser que o tirem, mas recorreu às forças armadas para proteger os comparsas da fúria dos manifestantes. Rodrigo Maia solicitou a guarda nacional, Temer enviou logo o exército numa clara demonstração de que tentará se manter a qualquer custo.

Há um conluio entre a base para vetar uma PEC para permitir eleições diretas, já que o caminho constitucional seria o também investigado Rodrigo Maia do PSDB assumir a presidência provisória e convocar eleições indiretas. Um congresso integro poderia votar um presidente provisório, mas permitir que aquele chiqueiro de Brasília escolha honestamente alguém é impossível.

Que tal guardarmos o nome de algumas siglas e abolirmos esses partidos da esfera política? Sem votos, Aécio Neves nunca mais pisará no congresso. Assim como Rocha Loures (que devolveu a mala com dinheiro faltando R$ 35.000), Romero Jucá, Perrela entre outros.

O que fica de lição é que não importa qual o desvio ou escândalo, o PMDB sempre está no meio. Deputados e senadores não estão sentados naquelas cadeiras por serem seres celestiais, todos foram eleitos por nós em seus estados.

Falta ao brasileiro entender que um deputado ou senador é tão importante quanto um presidente ou governador, e que por mais íntegro que pareça, ele votará de acordo com as diretrizes de seu partido. É hora escolher políticos que tenham propostas, e principalmente que venham de partidos idôneos com menor histórico de roubalheira.

Lembrem-se que os campeões da ficha-suja são: PMDB (15), PSDB (45), PSD (55), PR (22) e PP (11). Façam um esforço e usem a memória na próxima eleição, lá em 2018.