Me respeita, arrombado!

- Cadê o respeito, Leo?
- O que é respeito?
- …

O silêncio sagrou-se campeão,
A certeza nele era inquilina,
Opacidade residiu com minha vinda,
A pele esverdeou com a indagação.

Ódio subiu com os que eram certos,
Não perceberam a mediocridade de seus “certos”,
Despejaram-me ódio e julgaram-se certos,
Cegos, talvez. Em matilha, nunca, sempre certos!

Bonde que carrega os coletivos,
Enraizados se dizem acertivos,
Acertam tudo quando unidos,
E, quando não convém… latidos.

Comecei no judô aos sete,
Me diziam,
Depois que
Nos agarrarmos,
lutarmos e
nos arrombarmos,
nos respeitaremos,
como?
Abraca-me,
Beija-me,
Saúda-me.
- Oxe, mas eu ganhei, quero jorrar na sua face que és um arrombado perdedor.

Falta de respeito, me disse o professor.
- Então respeitar é um padrão conivente?
- Não, respeitar é se compadecer, se não, tu és doente.
- Foi isso que eu disse, demente.
- Disseste pura zombaria inconsequente.
- Só acho que respeito não deva ser aparente, 
estais matando a verdade essencialmente, 
culto a padronização aqui é inerente, 
respeitar, então, seria pura negação da natureza incongruente, 
assim, o fraco nunca se desprende, 
dessa mania de querer sempre, 
um consolo pra sua ruindade intermitente. 
Muito mais louvável mostrar em que és crente, 
expandir o que tu sente, 
e se precisar, torar no dente, 
pra que iludido não seja nem um ente, 
e vivamos em verdades convenientes, 
ou, inconvenientes, 
tanto faz, melhor que assim 
ninguém se frustrará daqui pra frente, 
com alguma expectativa deprimente, 
acerca de um ser vivente, 
que pra não machucar, 
se torna obediente a regras ditas de cunho benevolente, 
mas que a longo prazo é bem resistente 
a bebedeiras ilusórias que pulsam sociologicamente.