Monopólio do transporte em JP
Parte 1: Anos 20-60
No auge dos bondes que rodavam por João Pessoa, a empresa Auto-Viação Parahyba de Oswaldo Pessoa surgiu em 1928 prometendo um serviço de ônibus pra cidade, que ligaria JP-Recife em 4 horas por 4 mil conto de réis. Esse preço na época, considerado muito barato, trouxe o apelido de “sopa” aos ônibus, em alusão a ter um preço muito inferior aos trens da Great Western, fazendo a população exclamar: “-Que sopa!”. O apelido pegou e alastrou-se por um bom tempo.

Em 1929, é fundada de vez a empresa de Osvaldo Pereira e em 1931 lhe é concedido um contrato de concessão pra atuar no serviço público com sua frota de ônibus.
Em 1941, João Pessoa contava com 66 ônibus, mas a empresa Auto-Aviação Parahyba faliu em 1946. Naquele ano, JP passou por sérios problemas relacionados ao transporte urbano, e para a cidade não ficar sem transportes, governantes deram permissão a qualquer cidadão que quisesse colocar seu veículo a trabalho em qualquer linha pela cidade.
De 1946 a 1949 aconteceram muitas mudanças nas vias de João Pessoa, facilitando e melhorando o tráfego de veículos e gerando muita movimentação de carros coletivos de “empreendedores” individuais. Até que o Sr. João Venâncio, muito influente em JP, conseguiu com o estado e a prefeitura a permissão pra colocar ônibus em algumas linhas pela cidade. Sendo assim, ele pôs em circulação ônibus da marca Berliet servindo os bairros de Torre e Cruz das Armas.
O jornal O NORTE publicou em 04 de maio de 1950:
A crise no transporte urbano provocou o desenvolvimento dos ônibus, que apesar de fortemente acrescidos, ainda não estão em condições de servir as necessidades da população…
A prefeitura de JP lança em 04 de maio de 51 o edital nº 1, permitindo colocar auto-ônibus nas linhas de Mandacarú-Roger, Expedicionários-Torre, Morro de Santa Júlia-Tambaú-Ilha e Índio Piragibe… Logo, “faliu”, deu errado, não foram bem recebidos pois não havia uma organização dos serviços.
Então, o prefeito Oswaldo Pessoa incumbiu uma regulamentação dos serviços rodoviários através da lei nº 190 de 8 de maio de 51. Em contrapartida, os bondes da cidade acabavam um por um e poucos restavam.
MUDANÇA

Já na primeira metade dos anos 50, a indústria automobilística nacional começa a se expandir de forma mais intensa nos transportes urbanos, abrindo um leque gigante na fabricação de ônibus.
Os chassis já eram fornecidos por grandes nomes estrangeiros, estando à frente a gigante Mercedez Benz.
Por volta de 1954, bondes ainda eram maioria, mas o governo já visava ônibus e investiu na aquisição destes. A cidade já possuía 258 km de vias, 18 km² de área e uma população de 136 mil habitantes. A densidade urbana, comparada com 1946, ficou estável em torno de 75 habs/ha. O governo acabava de completar a pavimentação da Avenida Epitácio Pessoa até a praia de Tambaú, enquanto que os bondes estavam desativados nessa via, trazendo a dependência do transporte automotivo.
SANTOS(1996) diz:
“Na segunda metade dos anos 50/60, víamos a intervenção dos poderes públicos com vistas de organizar as coisas. Reduzindo o número de operadores e induzindo a formação de empresas de ônibus.”
GOVERNO
O governante paraibano José Américo teve uma certa sensibilidade com a população ao tratar do assunto do transporte urbano com a iniciativa privada, que insistia em aumentar os preços das passagens.
Fazendo requisições de todos os transportes públicos, estaduais e federais, transformando-os em coletivos, até que o próprio estado adquirisse sua frota de ônibus.
Com a dificuldade de transportar um número grande de pessoas todos os dias, alguns bondes voltaram a circular sem tirar de circulação os ônibus adquiridos como frota estatal. E estes eram: 6 na linha cruz das armas, 2 na linha circular comércio, 2 na linha joão machado e 2 na linha torre. Totalizando 12 ônibus.
Com alguns bondes decadentes e alguns ônibus novos, a população estava satisfeita com o governo. Em contramão, os “empreendedores” individuais revoltavam-se, especialmente os que antes trabalhavam seus veículos próprios na Av. cruz das armas.
O departamento de serviços elétricos adotou a medida de tirar diversos tipos de veículos. Deixando apenas os ônibus estatais cobrando 800 réis, e as marinetes(“empreendedores”) cobrando obrigatoriamente 1.000 réis, fazendo assim, obviamente, a população mais pobre(maioria) lotar os ônibus do governo.

Muitos empresários individuais do transporte fizeram balbúrdia, onde José Américo ouviu-os e exclamou que deixaria os empreendedores continuarem a rodar seus carros, mas que iria acabar com a injustiça vinda da medida tomada pelo departamento de serviços elétricos.
Sabia-se das convicções firmes de José Américo quando este falava algo, Américo era homem de cumprir com sua palavra. Logo, Sebastião Cavalcante Albuquerque(Um dos empresários individuais), conhecido como “Bronqueiro”, se juntou com outros do ramo do transporte e anunciou os dizeres de Américo.
Em seguida, Américo colocou os 6 ônibus da linha cruz das armas pra circularem por toda a cidade, fazendo um circular, beneficiando toda a classe de empresários individuais e também a população como um todo, transformando em seguida, o Bronqueiro, em um líder logo após encaminhá-lo diante procuras de resoluções advindas dos empreendedores individuais das linhas que trafegavam por Cruz das Armas.
Bronqueiro futuramente se tornaria líder dos transportes coletivos e funda a Associação dos Coletivos e a empresa Viação Cruz das Armas, unindo todos os proprietários.
TOMADA

Flávio Ribeiro Coutinho(Governador 56–58) ainda tentou retomar alguns bondes pra circulação nas vias entre Miramar e Tambaú, mas fez um outro grande investimento ao aumentar a frota de marinetes(ônibus) na linha João Machado.
Ônibus e bondes continuavam prestando serviços aos Pessoenses , trazendo muito lucro ao estado, mas por algum motivo pararam de circular. Algumas brigas internas entre peixes grandes lutando por lucros maiores talvez tenha motivado tal feito.
Em 1957, começa a “tomada” e os bondes vão parando de circular de vez, tendo suas duas últimas linhas sendo a do Comércio, e a de Tambaú, sendo paradas em 60 no governo Pedro Gondim.
Jornal “O NORTE”, 10 de agosto de 1958:
“Finalmente, a diretoria determinou a paralisação dos 3 últimos carros da frota estatal que circulavam para bairros da capital. Esses últimos carros já encontravam-se em estado ruim e não ofereciam qualidade de serviço pra população. Esses carros, como se sabe, foram adquiridos pelo governo passado por causa nobre e bondosa pra atender a população mais pobre de João Pessoa, mas eram uma grande fonte de prejuízos para o estado…”
Mas, sabemos que analisando a receita da época, bondes e ônibus estavam sim trazendo lucro pro estado…
1959
Em 1959, João Pessoa seria a quarta cidade do Brasil a ter em mãos um serviço avançado de transporte usando ônibus movidos a tração elétrica, os Troleibus.
Isso veio do Secretário de Viação e Obras Públicas do Estado, Sr. Robson Duarte Espínola, quando mandou realizar estudos provando que João Pessoa precisava de um serviço de ônibus a altura de seu desenvolvimento. Segundo Aragão(2005), poucos sabem dessa história.
Anos 60. Começo!

A partir de 60, se inicia os levantamentos de dados relativos a acidentes de trânsito em JP a cargo do DET e sendo mandados pro órgão nacional de trânsito.
1960: 186 acidentes, 121 com vítimas e 12 vítimas fatais — (DENATRAM, 1991).
Os primeiros “abrigos” de ônibus foram feitos pela lei Nº 903, de 05 de maio de 61, com o prefeito Waldir Bezerra aprovando o projeto na câmara municipal. Estes dois foram construídos no terminal de ônibus e na parada do trem no Bairro Ilha do Bispo, cerca de CR$ 100.000,00(cem mil cruzeiros) foram usados nesse investimento.
Outra inciativa também bastante repercutida da época foi o abatimento da passagem estudantil. Tendo como intérprete maior o prefeito Luiz Gonzaga de Miranda Freire, concedendo 50% de desconto nas passagens dos estudantes de todos os níveis de ensino da capital, sendo a lei nº 385, de 25 de agosto de 1961, como a primeira desse gênero no Brasil.
Mais a frente, João Agripino estabelece a lei com abrangência também para estudantes secundaristas nos transportes intermunicipais sob jurisdição do DER(Departamento Estadual de Rodagem), com a lei nº 3498, de 26 de outubro de 1967.
Em 1963, o prefeito Dr. Domingos de Mendonça Neto, assumiu o controle do sistema de transportes coletivos pôr ônibus de JP, antes controlado pela Delegacia Estadual de Trânsito. Sendo assim, a prefeitura criou o SMT(Serviço Municipal de Trânsito), sendo questionado como um erro até em seu nome, pois, deveria se chamar Serviço Municipal de Transporte, com uma coerência maior com o intuito para o qual foi criado.
Em 60, os proprietários dos ônibus começaram a trocar seus carros com a busca de economia e maior margem de lucro, remanejando seus carros da Chevrolet que usavam gasolina para os da Mercedes Benz movidos a diesel e com carroceria Metropolitana, fabricados no RJ e com capacidade para 25 passageiros.
Os carros da Mercedes fizeram sucesso e marcaram época em João Pessoa, com muitas empresas já atuando de forma legal e outras nem tanto. Um papel marcante no surgimento desse empreendimento “popular” e disperso vem dos imigrantes, sobretudo aqueles com origem nos países mediterrâneos. Em Curitiba dominavam os italianos, no RJ os portugueses e em Salvador os Espanhóis.

Em 1963, chegaram a capital de JP os ônibus de modelo L 321, monobloco integralmente fabricado no país, com motor Mercedez-Bens do Brasil S/A, que rodava com 25 a 28 passageiros e tinha sido apelidado pela população de “bicudinha”.
RENOVAÇÃO

No fim dos anos 60, o trabalho nos ônibus pelas vias de JP eram boas, mesmo assim, começa o movimento de renovação e melhoramento da frota da cidade com uma modernidade de carros melhores e a predominância de outros nomes, como o da marca Caio Norte circulando na linha ABC.
Na praça Vidal de Negreiros encontravam-se os táxis, conhecidos como “carros de aluguel”.
Em 15 de junho de 1969 começam as obras do viaduto ligando a Av. Guedes Pereira com a rua Padre Meira passando na “Praça dos 100 rés”. O prefeito Damásio Franca foi o responsável por assinar o contrato da obra com a firma Construtora Julião Ltda. Após algum tempo paralisada pela firma, a prefeitura com sua força e união da decisão judicial retoma a obra pela empreiteira e o viaduto é concluído em julho de 1970, sendo inaugurado com a Praça Vidal de Negreiros.
Obra de gigante crescimento para João Pessoa, tanto no âmbito natural em si como em movimentação, e como também em resolução de problemas do presente e até do futuro para alguns planejamentos da cidade, atraindo muita gente pelas vias para “saborear” o resultado final do grande investimento.
No segundo post continuarei com a década revolucionária de 70, que moldou muito o nosso presente na questão dos transportes coletivos.
Abraço sincero e até a próxima!!!
