PORQUE HOJE TEM
Tanguito assobiado no tanque,
cheio de pompa e de melismas,
gardelianos vibratos descendentes,
glissandos frisados, pregadores,
barra de sabão anil.
A só três passos,
neste quintal de cortiço,
sanseviérias na lata de óleo,
fingem que não, ah, pero sei que sim,
perguntam “E esse aqui?”
“Esse aqui”,
suas espadas cegas e enxeridas,
está lavando a camisa de sair.