O que me deixa puto sobre a vitória da Judoca Rafaela Silva
Ryo
13016

Eu achei interessante seu texto, Ryo, mas discordo de alguns pontos. Existem vitórias e vitórias, derrotas e derrotas. O Hugo Calderano, por exemplo, um atleta dedicado, mas que perdeu nas oitavas do tênis-de-mesa. Ele fez um belíssimo papel, sendo muito elogiado por sua atuação. A seleção masculina de futebol jogou abaixo do seu potencial e por isso foi criticada. Só quem perde ou vence é quem compete, sabemos disso. Mas o tipo da derrota é que poderá (ou não) ser contestada. Seu texto menciona o lutador de MMA Anderson Silva. Ele perdeu depois de uma invencibilidade de muitas lutas no UFC. Contudo, não foi uma derrota “normal”, onde ele entrou com determinação, nem foi um lance de azar. Quem conhece seu histórico como lutador de MMA sabe que ele exagerou nas brincadeiras sobre o octógono diante e um focado (mas tecnicamente inferior) Chris Weidman. Pode-se dizer sem medo de errar que, no mínimo, faltou um pouco de humildade para o lutador brasileiro nesta sua derrota. A análise de derrotas no esporte sempre vai partir do potencial que um atleta (ou equipe) possui e como foi seu comportamento durante a apresentação. Concordo contigo quando você afirma: “É uma noção doentia de heroísmo”, assim como também concordo com “Mesmo vivendo em um país onde não existe mínimo incentivo aos esportes, eles tem continuado a fazer aquilo que amam.” Discordo dessa parte: “Alguns nunca ganharão medalhas. Serão os eternos “perdedores” do Brasil.” Isso vai depender do ponto de vista de cada um. Generalizar uma afirmativa como essa é sempre complicado, porque você cria um alvoroço e estigmatiza quem não pensa dessa forma. Eu até compreendi seu ponto de vista, mas para um bom articulista, como é o seu caso, a frase ganhou, a meu ver, uma projeção inadequada. Aqui você afirma: “As equipes masculinas só estão decepcionando a gente”. Coloque-se no lugar de um atleta que perdeu e meça o peso das suas palavras. Quantos sonhos você quer destruir?”. Eu posso estar decepcionado com a apresentação de algumas equipes masculinas e isso não ter nada a ver - absolutamente nada - com “destruir sonhos”. Então, essa correlação é um tanto arriscada de se fazer, porque embora você queira extrair delas uma ponderação saudável, parte da premissa de que ela, com sua percepção, está “arruinando”, “acabando”, “destruindo” sonhos alheios. Não é bem assim. Enfim, o texto é bom enquanto convite à reflexão, mas penso que carrega exagero em alguns pontos, principalmente quando busca exemplificar.