A crise econômica, a síndrome do “salvador da Pátria” e como amamos brincar de gado.

Estamos em tempos de crise, ninguém aguenta mais tanta corrupção, é preciso escolher um lado, novas eleições, intervenção militar, juízes brincando de heróis, antigamente que era bom…

A ladainha das massas de manobra é tão interminável e repetitiva que, muitas vezes, dá vontade de descartar o cérebro na lixeira mais próxima.

É inconcebível que em uma era onde o acesso à informação, tão mais amplo e fácil, seja, ao mesmo tempo, tão superestimado, banalizado e mal utilizado pela população.

Não vivemos em tempos onde a informação é esotérica, oculta, de difícil acesso. Não precisamos de ritos iniciáticos e nem de processos de seleção para coletarmos informação, triarmos informação e compararmos informação. Está tudo ao nosso alcance! Mas, infelizmente, talvez Umberto Eco estivesse certo. Realmente o excesso de informação em nossos dias provoca amnésia na sociedade.

Está na hora de pararmos de bancar os zumbis intelectuais e olharmos para as ferramentas que estão disponíveis e utilizá-las para a nossa saúde mental. Somente indivíduos mentalmente saudáveis podem constituir uma sociedade saudável. Longe do estereótipo nojento de “pessoas de bem”, mas sim na condição de saúde como uma característica intrínseca à redução do sofrimento tanto do indivíduo quanto do coletivo, independente de posicionamento político, condição social, sexualidade, cor etc.

Estamos realmente passando por uma crise? A corrupção no meio político é de agora (ou exclusiva de um partido) ou sempre foi assim? Quantas crises financeiras o mundo já passou? Por que existem crises? Quem ganha ou perde com tudo o que está acontecendo?

Mais importante é, antes de perder a autenticidade da nossa própria voz em meio a um coro massificado, nos questionarmos sobre tudo e todos — inclusive nós mesmos! É tão fácil cair em um sistema de doutrinação ou em uma seita (não só religiosa!) de fanáticos ensandecidos que, se pudéssemos olhar para nós mesmos de outro ponto de vista, tenho certeza que muitos teriam muita, mas muita mesmo, vergonha de si mesmos.

Estamos passando por uma crise econômica? Com certeza esta não é a primeira e nem será a última. Olhemos e estudemos as crises financeiras mundiais do passado como “O Crack de 1929”, 1944 após a Segunda Guerra Mundial, 1971 “O fim do padrão ouro”, 1973, 1979 “A Revolução Iraniana”, 1980, 1987, 1997, 1998, 2000 “Crise das pontocom”, 2001 (lembram de 11 de setembro?), 2008… Compreende? Consegue enxergar? As crises não acontecem a cada Kalpa! São sazonais e previstas. A quem interessa a crise financeira? Crise financeira é um sintoma do capitalismo? Afinal, o que a história nos ensina é que é o capital quem sempre se beneficia das crises. Opa! Será que é por isso que nosso sistema se chama capitalismo e não humanismo? Mais do que respostas redondas, mastigadas, pasteurizadas, falaciosas, devemos sempre questionar!

Japonês da Federal, Juiz Moro, Deus… estamos sempre querendo, assim como Pilatos, lavar nossas mãos e delegar a obrigação do exercício da ação e do intelecto a terceiros. Quem são esses terceiros? Existe algum ser humano puro? Alguém 100% altruísta? Não sei, nestes casos minha inclinação é muito mais nietzschiana.

Enquanto deixarmos nossas vidas nas mãos de outros, enquanto não eduzirmos a vida como humanos educados (instruídos ou não), estaremos sempre brincando de gado. O único problema é que, enquanto aceitarmos e nos resignarmos a viver como vivemos, acabaremos como o gado, servindo de comida a quem entregamos, passivamente, o poder sobre nossas vidas.