Desventuras de um Empreendedor
Hoje vou registrar um pouco da minha história empreendedora. Em 1993 eu estava cursando Administração de Empresas e a única certeza que eu tinha na época era que eu queria ter a minha empresa. Nessa época eu já havia conseguido meu primeiro estágio na Gillette do Brasil, na área de Crédito e Cobrança, ganhava meu dinheirinho suado, mas não estava satisfeito, afinal de contas estava totalmente fora do que eu queria fazer na vida. Mas sabe como é né, precisava de grana para as minhas nights… Vai entender…
Lição 1: Nunca deixe seus sonhos serem direcionados pelo dinheiro. Dinheiro e realização não cabem na mesma frase.
Nessa época vi com bons olhos uma oportunidade de empreender (palavra que nem existia na época), o que eu queria, sinceramente era a liberdade de pensar e agir dentro do que, eu acreditava na época, ser o certo.
Então fiz o simples, pedi demissão e fui empreender, fui vender periféricos e peças de computador, basicamente meu trabalho era ir no centro do Rio de Janeiro (eu morava na Ilha do Governador na época) comprava as peças e vendia para pequenos lojistas na Ilha. Na época surgia a Info Ilha, eu cuidava do comercial e meu pai (meu primeiro sócio) cuidava do financeiro.
A minha estratégia era, pegava meu fusca todo dia e batia de porta em porta pra vender. Lembra? Em 1994, não havia a internet de hoje, ou seja o caminho era usar a boa e velha Página Amarelas, classificados do jornal de informática do Globo, e por aí vai.
Lição 2: Entre o plano e o terreno, vá para o terreno, vá ouvir seu cliente, veja o que ele quer comprar.
Nesse ritmo de trabalho rapidamente conquistei clientes, afinal estava oferecendo algo mais, não era somente o produto, mas serviço, na época a tecnologia dos celulares estava ainda engatinhando, mas consegui ter o meu aparelho para poder oferecer um atendimento diferenciado, e isso fez a diferença. Era quase que uma linha direta do cliente comigo, principalmente na hora do aperto. Nessa hora que eu ganhava o cliente, afinal isso acontecia sempre na hora mais imprópria
Lição 3: Surpreenda seu cliente, ofereça para ele uma experiência incrível, e ele se lembrará de você pra sempre.
Busquei no SEBRAE na Ilha uma ajuda para facilitar a minha compra, afinal, sendo pequeno eu não conseguia fazer compras com preços competitivos, e por consequência a minha margem era muito pequena. Então com uma relação de outras empresas de informática na Ilha, fiz um pool de compras, o que ajudou bastante para melhorar os preços de todos. Deu certo e foi um grande aprendizado. Criamos uma confraria onde nos reuníamos para discutir dificuldades e pensar em soluções, imagina! Hoje vejo empreendedores que sequer iniciaram alguma coisa pedindo para assinar NDA (Non-Disclosure Agreement) quando vão apresentar suas ideias, veja bem, IDEIA!
Lição 4: Conheça seus concorrentes e se fortaleça com eles, não é bom você estar em um mercado sem concorrentes.
Mas nem tudo são flores, e as pressões de ser jovem e com a grana apertada não são fáceis, e a tentação é sempre grande. Aliado a isso a imaturidade pois não somos preparados para esse mundo empresarial. Não havia na época o hype em cima de ser empreendedor, para você entender, ser cool na época era fazer parte de uma banda de rock, atualmente ser cool é dizer que é CEO de uma startup.
Lição 5: Procure conhecimento, procure ajuda, há diversos programas de apoio ao empreendedorismo, incubadoras, aceleradoras, além de pessoas que querem ajudar, os mentores.
Quer empreender? Faça com um propósito maior do que o dinheiro. Promova mudanças reais na sociedade. Se é para fazer, faça valer a pena. Tem uma frase clássica do Zig Ziglar que diz o seguinte:

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