O nome dela é Iris, mas é na sua íris que ela vai impregnar.

O documentário se chama simplesmente Iris. Mas de simples, só o título mesmo. O filme apresenta de forma leve e descontraída o dia-a-dia de um dos ícones da moda mais excêntricos da atualidade. Iris Apfel, a senhora por trás desses grandes óculos, chegou até mim através de um post da Julia Petit quando em 2011 eu buscava referências kitsh para organizar o meu apartamento. Depois de ler e observá-la frequentemente em todos os canais e finalmente com o filme— fui de fato entender do que se tratava. Não, não é um fenômeno, uma tendência ou mais uma queridinha do mundo da moda. É uma mulher livre, casada e de bem com a vida. Essa frase é muito simples, mas não é simplória. Muito menos fácil de por na prática. Ela decidiu não ter filhos para viajar muito e fazer carreira, pechincha quando acha que está pagando caro, procura tudo em todos os lugares (de feira de periferia à maison francesa), dá aula pra estudante com a calma de quem está começando, faz parcerias com marcas conceituais e magazines mais populares. Tem muita paciência para cumprir uma extensa agenda apesar da dificuldade de andar, mas responde na lata quando perguntada sobre pessoas mal vestidas: “é melhor ser feliz do que vestir-se bem”. É essa complexidade que faz desse personagem real ser tão iconográfico: o império da individualidade e da simplicidade onde o que vale é a mistura e não a separação. Em tempos de um prêt-à-porter careta e que ainda afirma velhos conceitos estéticos, espero por mais Iris nas capas das revistas.

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