Pedalando na Internet

Eu realmente acho que a internet é uma bicicleta e, para explicar melhor essa história, quero te fazer um convite: pegue a bicicleta do Medium e pedale comigo enquanto conto minhas experiências com a web

Tudo começou com um tweet. Foram menos de 140 caracteres que falavam como eu estava me sentindo durante uma palestra na faculdade. Era minha primeira semana de aula, estava naqueles eventos de abertura de semestre e tinha uma galera foda falando no palco do auditório. Tuitei e citei a arroba de um dos palestrantes e esse foi o início de uma conversa que durou alguns dias e resultou no meu primeiro emprego dentro da minha área.

Mauro Assis é Diretor da Funyl, primeira e maior escola de criatividade de Brasília. Além disso, na época era Diretor de Arte e trabalhava na agência que atendia as maiores contas publicitárias de Brasília.

Busquei referências e fui stalker

O trabalho novo não era em uma agência de publicidade, mas muita gente do mercado passava por lá. Minha admiração pela comunicação crescia a cada dia e minha curiosidade também ia longe! Se eu achasse que alguém era bom no que fazia, enchia de perguntas. Lembro que nunca deixava de perguntar: “Quem te inspira?” e “O que você costuma ler na internet?” ou “Quais sites você acompanha?”

Parece bobo ficar perguntando essas coisas, mas eu anotava tudo e depois ia atrás dessas referências para seguir no Twitter ou acompanhar no Facebook. Foi assim que conheci sites como o Youpix, Blue Bus, CCSP, uma dúzia de sites gringos e mais um monte de pessoas e agências que eu acompanhava diariamente pela internet.


Me joguei na web e carreguei comigo todas as dicas que ouvi

Compartilhei o que estava aprendendo e acabei me entregando à produção de conteúdo

Não me contentava em ser apenas mais um leitor e acabava enviando sugestões de conteúdo para vários sites que acompanhava, quando menos percebi meu nome estava lá no final dos posts com um discreto “Dica do Leo Maia” e um link para o meu Twitter.

Foi assim que acabei conhecendo a Bia Granja, pessoa que faz a mágica acontecer no site e festival do Youpix. Depois de algum tempo, vários e-mails e trocas de tweets, comecei a ver meus textos publicados no site. Era uma comemoração a cada post que eu via no Youpix! \o/

Sempre gostei de compartilhar as coisas legais que achava na web e acabei descobrindo como era divertido fazer o mesmo em eventos, cobrindo palestras e mostrando outras coisas que aconteciam nas bancadas da Campus Party ou entre os Hubs do Youpix Festival. Eu só não esperava que um dia fosse fazer isso para o Blue Bus!

Estava no Twitter e recebi DM da Jacqueline Lafloufa, que na época era editora do Blue Bus, me convidando para participar da cobertura do Youpix Festival.

A DM que recebi da @jacquelinee

Caramba, depois disso eu estava falando com Julio Hungria, um cara que foi mega importante dentro da história da internet brasileira e pioneiro na cobertura de notícias do mercado publicitário e mídia. Ah, descobri uma coisa incrível: o Blue Bus não tinha escritório e a redação ficava espalhada pelo Brasil — Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

O evento aconteceu em São Paulo e trabalhei junto com a Jacque na cobertura.

Depois, continuei em contato com toda a redação e tive ainda mais espaço para sugerir pautas, participar de outras coberturas e escrever notinhas rápidas — eu trabalhava em agência e sobrava pouco tempo para textos maiores.

Aprendi muito com Julio, que sempre tinha uma história para explicar sua visão do que é o jornalismo e a web, frequentemente comparada ao rádio.


Fora do quadrado

As pessoas dizem que Brasília está em um quadradinho no meio do Brasil, mas a gente sabe que aquilo é um retângulo. A verdade é que isso não importa muito, vamos lá!

Estava em Brasília, trabalhando dentro de uma agência e ainda conseguia tempo para continuar passeando pela internet, descobrindo coisas e conhecendo pessoas. Minhas mil abas abertas no navegador não me deixava esconder o tamanho da minha curiosidade sobre o mundo ‘fora do quadrado’.

Foi nessa de ser curioso que conheci Leila Ribeiro, uma professora apaixonada por educação e também uma ~louca da interwebz~ e das tecnologias. Leila e seu marido, Washington Ribeiro, participam de vários eventos pelo Brasil e pelo mundo, fazendo a ponte entre educação, tecnologia e internet. Eles acreditam que essa combinação pode transformar as escolas e, por esse motivo, compartilham todas as suas descobertas no site sala.org.br.

Não preciso dizer que me apaixonei pelo projeto, né? Colei nessa também e muitas coisas legais saíram dessa parceria: palestras, artigos e textos para o site — além da amizade, claro! ;)


E qual é a dessa bicicleta?

Calma ai, fera! Eu realmente precisava falar sobre mim, porque tudo isso aconteceu antes que eu desse play em um vídeo que explodiu minha mente!

Fiquei amigo da Raphaela Alves no Facebook. Não sabia muito sobre ela, mas acompanhava suas publicações e conversamos por inbox algumas vezes. Meses depois ela me convidou para trabalhar em sua agência, mas isso é outra história.

Acontece que Rapha estava passando uma temporada no Vale do Silício, e eu achava incrível o que ela compartilhava sobre como pessoas que trabalhavam em grandes empresas como Google, Twitter, Facebook eram mais acessíveis para uma conversa rápida em um café da esquina.

Imagina só que loucura ter alguma dúvida ou ideia e, por estar no Vale, ter mais facilidade de falar com quem realmente faz a coisa acontecer!

Foi a Rapha quem postou um vídeo que me fez olhar com outros olhos minha relação com a internet. O vídeo era um depoimento do Mark Zuckeberg para o Code.org. Nele, Zuck contava que perto de sua casa existe uma praça e uma vez um garotinho que estava de bicicleta parou ele no meio da rua para tirar algumas dúvidas e pedir ajuda porque queria aprender a programar.

Toda aquela ideia de que estar no Vale seria incrível por causa da proximidade de pessoas brilhantes fazia mais sentido depois desse vídeo. Eu desejei ser o menino da bicicleta da história contada por Zuck, mas foi quando me coloquei no lugar daquela criança que percebi que já tinha uma bicicleta e eu só precisava continuar pedalando.

Senti que já estava nesse negócio de bicicleta há bastante tempo, desde quando enviei o tweet que fez eu conseguir meu primeiro emprego na faculdade.

Na minha bicicleta de internet andei por vários sites que foram como aquela praça na Califórnia, só que ao invés de encontrar Mark Zuckerberg, me aproximei de pessoas que estavam dispostas a responder minhas perguntas e indicar o caminho que eu deveria seguir.


Minha ‘bicicleta internet’ me levou para trabalhar em muitos lugares que eu nem imaginava que poderia chegar e pedalando com tweets, e-mails e publicações no Facebook fui fazendo amizades e ficando mais perto de quem me inspira.

Fiz várias viagens para São Paulo, recentemente mudei pra cá e trouxe minha bicicleta junto com toda bagagem que ela me ajudou a conquistar nesses últimos 4 anos.

Sei que ainda tenho muita estrada wébica pela frente e terei que pedalar bastante, mas espero que o caminho continue sendo cheio de aventuras, descobertas e trocas de ideias com pessoas que também pensam diferente.


Agora, se me permite, quero te oferecer um conselho:

Sabe a bicicleta que pegou lá no início do texto? Então, não solte ela nunca mais! Continue curioso e use a internet para ir a qualquer lugar e falar com quem você precisar. Pedale sem medo. Se achar que se perdeu, pergunte a direção para a @ mais próxima e siga em frente. A internet pode até ficar lenta e cair algumas vezes, mas ela nunca decepciona. :-)


Quando a gente é apaixonado pelo que faz, acaba ganhando a habilidade de transformar informações chatas em uma boa história.

Você acabou de ler parte do meu currículo e tenho certeza que foi mais divertido que um rolê pelo LinkedIn. Estou procurando job aqui em São Paulo e se tiver uma vaga por ai, me avisa que vou pedalando!
Anota o meu email: leomaia.bsb@gmail.com