SERÁ QUE REALMENTE, HOJE EM DIA, NÃO TEMOS TEMPO?
Às vezes é preciso de um choque de realidade para podermos enxergar o quanto somos hipócritas em certas ocasiões onde, várias vezes colocamos a culpa na falta de tempo. É fato, que na vida diversas coisas tendem a ficar para trás. Contudo, grande parte dessas coisas poderiam ser evitadas.
Estamos constantemente dizendo que não temos tempo e esquecendo de pessoas, momentos e lugares que um dia fizeram a diferença. Hoje, talvez, algumas das pessoas que conhecemos no passado estejam visivelmente magoadas por isso, mas não conseguimos perceber devido a nossa falta de sensibilidade que se esvai lentamente a cada dia, pois, meio que nos tornamos pessoas cujos momentos são voláteis. E é por isso que o simples fato de vivermos “sem tempo” faz com que percamos detalhes essenciais do nosso dia-a-dia, que na maioria das vezes são tão óbvios, que optamos por simplesmente ignorar.
É difícil admitir, mas não vivemos totalmente sem tempo. Essa nossa “desculpa” é uma mera ilusão criada pela mente para esconder, meio que inconscientemente, o quanto estamos nos distanciando das verdadeiras coisas que dão sentido à vida. Para se ter uma ideia, atualmente, estamos conectados a tecnologia pelo menos 1/3 do nosso dia e muita das vezes não sabemos usa-la a nosso favor quando o assunto é comunicação com o próximo.
Acontece, que da mesma forma que a mente cria a ilusão da falta de tempo, ela também cria outras duas ilusões: “falar com alguém exige tempo” e “se não falam comigo, então não devo falar”. E é nessas novas ilusões que, aos poucos, vamos nos perdendo cada vez mais no que diz a respeito sobre dos “detalhes omissos” que fazem a diferença em nossas vidas. Por exemplo, uma mensagem de texto, um e-mail ou ligação pode ser realizada em apenas um minuto e pode simplesmente transformar o dia de uma pessoa.
Quem foi que disse que uma conversa precisa ser demorada? Quem foi que disse que para estar junto é necessário estar perto? Quem foi que disse que apenas os outros devem falar conosco? Ou será que simplesmente não ligamos mais para os bons momentos que foram vividos um dia?
É por essas e outras questões, que reforço o quanto estamos nos iludindo com a nossa “falta de tempo”, pois, mesmo que realmente nos falte tempo sempre teremos um ou dois minutos vagos no nosso cotidiano, que se quisermos, podemos usa-los não só para construir novos laços, mas também para renovar os antigos.
Cabe a cada um de nós adotar uma atitude quanto a isso, pois, se tivéssemos feito antes, tenho total convicção de que muitas coisas hoje estariam diferentes. Ainda podemos resgatar os momentos voláteis e converte-los em não-voláteis antes que seja tarde, além de recuperar os laços de amizades que um dia deixamos para trás. Afinal de contas, não devemos mais aceitar que as ilusões criadas pela nossa mente cadenciem o nosso ritmo de convivência com o próximo.