A variável independente

Olá.

Tô precisando da sua ajuda de novo. Você que sempre foi meu melhor amigo e fez parecer que eu conseguia fazer tudo. Graças à você, eu acreditei que muito é sempre pouco e preguiça é pra quem lhe tem ao lado. No caso, eu já tive e muito: quando me mudei pela primeira vez, quando perdi minha melhor amiga, quando decidi levar meus estudos a sério, quando comecei a ter crises de ansiedade, quando resolvi ir pra faculdade, quando decidi que veria mil séries ao mesmo tempo, quando quis chorar sozinho no quarto, etc.

Hoje você está por aí dando um passeio. Eu entendo, não se preocupe. Nesses anos todos eu fiz jus a sua presença e usei e abusei dos presentes que você me deu. Sem você eu não teria aprendido a refletir mais sobre a minha vida, nem teria conseguido digerir essas mudanças radicais que acontecem quando entramos na vida adulta. Agora você deve estar ao lado de outra pessoa, segurando as barreiras do universo pra fazer com que tudo dê certo. Preciso confessar que você é um tanto cruel com todos nós, meros mortais, mas afinal, não seríamos quem somos sem você.

Você sempre fez questão de prezar pelo meu bem estar físico e emocional, mesmo que eu não o tenha entendido na hora. Eu sei, a paciência é uma virtude que anda do seu ladinho, deixando preocupações e acalmando corações. Enfim, eu só queria saber mesmo se você pode me fazer uma visita e ficar por um tempinho. Estou precisando do seu jeito ímpar de ser, que me faz virar o super homem e salvar todos os projetos inacabados e os episódios atrasados do limbo.

Veja bem, não quero controlar você não; sei que é impossível. Porém, estou aceitando um aproveitamento melhor dos seus serviços. Enquanto isso, treina um pouco como se autorregular melhor. Tem momentos que valem a pena uma visita mais demorada, assim como tem dias que você pode fazer uma maratona comigo que nem vou me importar.

Até logo. Beijos.

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