Oi, posso sentar na sua mesa?

Há não muito tempo eu me peguei sentado numa enorme mesa de um restaurante, com várias pessoas, todo mundo rindo, comentando sobre os assuntos atuais e perguntando sobre os fatos da vida. Nada mais que uma reunião de família. Mas não da minha família.

O que é comum entre muita gente por aí nunca foi muito comum para mim. Eu amo meus pais, meus avós, minhas tias, primos e etc, mas eu nunca estive realmente próximo deles. Não como vejo os outros estarem. Não rola um almoço de domingo com histórias pra contar, não rola um natal unido com o tio do pavê e aquela tia das namoradinhas. Quer dizer, talvez até role, mas eu nunca estou lá pra ver, e por muito tempo não estive. Essa sensação de acolhimento sempre esteve velada no que diz respeito aos meus familiares. Nós sempre fomos a família do tapinha nas costas, do aceno de cabeça e o sorriso meio torto, das aparências. Em poucos momentos eu me vi numa família que mesmo com problemas se une no fim do dia e dá boa noite como se fosse a cura para os males.

Acho que por conta disso sempre fui muito invasivo com os outros. Sou simpático, daqueles que faz amizade muito fácil e já convida pra ir ao teatro ou assistir um filme. A questão é que não sou assim porque cresci com pessoas assim, na verdade é mais um traço de sobrevivência do que de simpatia. É incrível como eu fico muito amigo das famílias dos meus amigos e me sinto acolhido por todas elas. E eu me sinto mal por isso, muito mal.

Nesse dia, no restaurante, com a família de uma amiga ao meu redor, eu me dei conta do quanto eu faço das outras famílias a minha família, do quanto eu sou carente de datas comemorativas que reúnem todo mundo, de poder viajar com meus pais ou tios e me sentir uma criança feliz mesmo sendo mais velho.

Me desculpa se eu invadi a sua família e me mudei pra sua vida. Não é por mal, eu juro. Eu só quero me sentir em casa, mesmo que não seja a minha casa de verdade. Eu não estou tentando roubar seus pais, menos ainda a sua vida, eu só estou querendo sentar num sofá e falar sobre a minha vida, os meus sonhos e erros com alguém realmente interessado, disposto a me dar conselhos e não apenas fazer caras e bocas. Às vezes, escutar um “que bacana, vai dar tudo certo sim, você é um garoto esperto” faz uma semana inteira de medo acumulado se transformar em um mês de força de vontade.

Eu sei que toda família tem problemas, e que para quem vê de fora tá tudo bem. Mas eu não me importo com seus problemas, eu adoro saber deles, eu adoro saber que depois de uma conversa ou uma discussão daquelas fica todo mundo bem. Essa hipocrisia de reuniões familiares faz uma diferença, é algo a se comentar. Eu não tenho isso, então me perdoa se sento na sua mesa de jantar e ouço todas as conversas com atenção. Perdoa o meu jeito invasor e me convida pra um churrasco de domingo. Esse é o melhor convite que você poderia me fazer.

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