by ourselves.


– por Leonam Espíndola

Calçar aquele sapato velho que é seu companheiro de vida, colocar a mochila cheia de camisetas brancas nas costas, encher o IPod de música boa, um porta moeda em tamanho perfeito e ir. Agora. Para a estrada. Olhar pra frente. E não voltar. De cabeça pra cima e com os olhos bem abertos, com o coração batendo mais forte e o vento, a chuva, a neve ou o calor de 40 graus com você. E só você.

By yourself eu acho menos dramático que “sozinho” e faz mais sentido pra mim. Quando eu viajo “by myself”, eu tenho eu mesmo. As minhas milhas já viajadas, as minhas histórias absurdas e a esperança. De se divertir. De experimentar o novo. De descobrir o desconhecido. De criar o não possível. De viver a vida.

A cada vez que eu saio na estrada “by myself”, eu estou by myself. Se perder. Não planejar. Ou planejar cada hora do dia. Ver no que vai dar. Ou não sair do quarto do albergue com a chuva lá fora e ver as fotos da vida. By myself eu paro e penso. Eu paro e vivo.

Chegar numa estação de metrô numa língua que você não conhece, entrar no quarto que tem 20 gringos estranhos no mesmo lugar, atravessar um aeroporto lotado, pedir a primeira cerveja num bar quando você nem sabe que cervejas o lugar tem e você só dizer A beer. Any beer.

Pedir ajuda a velhinha que tem o inglês mais fluente que o seu, pedir ajuda para o velhinho que não fala nada de inglês. O primeiro ‘obrigado” no idioma local. A primeira troca de sorriso sincero.

É por isso que eu viajo. É pra isso que eu vivo.


Originally published at umaboadose.com on July 28, 2014.