vai ficar tudo bem

meu coração parou de bater antes que eu pudesse levantar e dizer para mim mesmo como nos outros dias “vai ficar tudo bem”. um suspiro pesado e a última lembrança de que no apartamento não havia mais nada além daqueles lençóis comigo. — eu deixei que o pensamento adquirisse suas próprias ramificações e num instante eu estava do outro lado da minha pele, pensando como teria sido diferente se a primeira vez eu soubesse que era alguém capaz de crueldade. como era difícil estar magoado depois de ter abandonado tantas coisas, insistido em razões que me afastaram os outros. deve ter sido então quando o músculo parou, eu encontrei a mim mesmo. sem ninguém. deitado na cama. incapaz de sair do lugar. esperando que a morte acontecesse. — mas quando exatamente você morre se o coração para? não é preciso fazer mais nada. escrever a não morte não o salvaria. a essa hora o que resta são os segundos que você morre. esta é a camada de mágoa, onde há apenas o silêncio. — vê como é difícil. todos esses sedimentos. o pensamento e suas curvas. aqui há apenas o silêncio. minto. vem de dentro um rumor. vento de viração. ele carrega consigo as palavras que você quer dizer, todas ao mesmo tempo, até as que você não conhece muito bem o significado. sim, esse tipo silêncio.

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