Space as a Plataform

No evento Code 2016, um dos tópicos mais interessantes foi Elon Musk e Jeff Bezos falando sobre sua visão para a conquista espacial.

A SpaceX juntou um grupo de veteranos da conquista espacial com a genialidade de Musk para usar a inovação disruptiva para tornar o vôo espacial barato e rotineiro. Recentemente, ela conseguiu pousar o primeiro estágio do seu foguete Falcon 9 em uma plataforma no oceano. Isso permite reutilizar o foguete em novos lançamentos e diminui muito a necessidade de combustível ao permitir que o foguete siga sua trajetória e não precise voltar para o lugar de origem.

Falcon 9 landing

Musk vê a conquista espacial não apenas como um negócio, mas como o plano B para a humanidade no caso da Terra deixar de ser habitável um dia. Seu plano é a colonização de Marte e um possível calendário é o primeiro vôo para lá em 2016, o primeiro vôo tripulado em 2024 e, em alguma data seguinte, a construção de uma cidade.

A visão é que Space X se torne a Union Pacific de Marte e que toda uma nova geração de empreendedores possa participar das oportunidades que sua a colonização representa. Nesse plano, devemos evitar as falhas que cometemos aqui com nossos sistemas políticos representativos e devemos buscar um novo modelo com base na democracia direta.

Bezos, com a sua Blue Origin, também acha que devemos ir para o espaço para salvar a humanidade. Só que ele busca salvar nosso plano A, a Terra. Os vôos espaciais baratos devem permitir que empreendedores aproveitem as riquesas existentes em todo o sistema solar. Podemos mover as indústrias pesadas para o espaço onde existe energia solar ilimitada e a produção pode ocorrer sem impacto ambiental.

É interessante notar que apesar de todas essas novidades recentes na exploração espacial, o seu período mais ativo foi a 40 anos atrás na década de 70. Pode-se explicar o menor dinamismo que em outras áreas por conta que toda sua infraestrutura tem que ser feita do zero. O alto dinamismo da Internet é possível porque ela se beneficiou de investimentos já existentes de meios de pagamento das empresas de cartão de crédito, cabeamento da indústria de telecom, capacidade logística dos correios, ampla difusão dos computadores por conta de trabalho e indústria dos jogos.

Jeff Bezos e Elon Musk estão investindo no espaço para que a próxima geração possa contar com a infraestrutura necessária para empreender fora da Terra. Iniciativas como essa já colocaram o espaço na mira das statups. Alguns exemplos disso já se tornando realidade são a Spaceflight Industries, Planetary Resources e a Space-Based Solar Power Project.

A Spaceflight se propõe a criar uma constelação de satélites de imagem no espaço. Com isso, qualquer pessoa com um smartphone pode pedir uma foto de um lugar da Terra por 90 dólares. Já a Planetary Resources, tem como objetivo minerar asteroides no espaço para criar combustível para viagens interplanetárias. Tem um video bem interessante mostrando como esse conceito faz muito sentido.

Por fim, a Space-Based Solar Power Project procura coloca satélites com painéis solares no espaço capazes de transmitir energia por microondas para a Terra. Potencialmente, isso poderia ser uma fonte quase ilimitada de energia não poluente. E como não bastasse essa vantagem, a energia poderia ser transmitida diretamente para o local de uso dispensando a necessidade de investimento em torres de transmissão de energia e outras formas de distribuição.

Assim como o iTunes revolucionou a indústria da música, as Appstores a indústria do software, a Space X, Blue Origin e outras podem tornar o espaço a próxima plataforma revolucionária da humanidade.