PASENTURE

Leonardo Ademir
Sep 3, 2018 · 3 min read

Recentemente, um dos museus mais aclamados e importantes para o Brasil, o Museu Nacional do Rio de Janeiro, foi dizimado pelo fogo. Causado por problemas de manutenção e eletricidade, estes que começaram a acontecer há alguns anos, mas que não puderam ser solucionados pela falta de verba investida no patrimônio cultural. Durante o incêndio, diversos assessores, alunos, professores e colaboradores da UFRJ, tentaram socorrer às pressas cada objeto que podiam segurar com as próprias mãos, tentaram, mas pouco foi salvo. Dentre as 20 milhões de peças pertencentes a nossa história, se encontravam: Luzia, fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil, com cerca de 11 mil e trezentos anos; Diversos fósseis de dinossauros encontrados no país, toda uma sessão de arqueologia egípcia, incluindo o caixão de Sha Amun en su; Coleções de arqueologia clássica, africana e indígena, peças de arte de Picasso, Miró, Dali e centenas de artistas brasileiros; Um dos maiores acervos de meteoritos encontrados na América Latina, dentre outras peças tão relevantes para a história de nossa sociedade.

Além dessa tragédia, pelo menos uma dezena de grandes museus foram destruídos, devido a incêndios ou pela própria falta de manutenção dos prédios antigos. Dentre eles o Teatro de Cultura Artística da região central de São Paulo(2008), o Instituto Butantan da zona oeste de São Paulo(2010), o Memorial da América Latina, também em SP (2013), o Museu de Ciências Naturais da PUC de Minas Gerais (2013), entre outros de extrema importância.

Porém, pouco se fala sobre esses casos, pouco se fala pois, no Brasil, a história é algo a ser esquecida, é algo que querem apagar a todo momento, sem ter a mínima noção do que estão fazendo, vivendo um dia após o outro, tentando sobreviver, não se importando com o próximo, e ainda menos com o precedente.

O que temos que analisar criticamente, é o quanto a história nos transformou até hoje. Foram com manuscritos de décadas ou séculos que criamos grande parte das tecnologias que temos ao nosso redor hoje em dia, graças a visionários de uma época distante que tiveram um vislumbre do futuro, alguns deles analisando o nosso passado e predeterminando o futuro, e anotaram, registraram para o mundo, o que seríamos sem esses esboços?

Nós somos tempo, e o que fazemos com ele se torna história.

O Brasil de hoje é um Brasil pobre, pobre de espírito, pobre de conhecimento, pobre de caráter e solidariedade, é um lugar onde cada qual passa por cima do outro sem a mínima compaixão. Um lugar onde direita e esquerda são mais discutidos que ciência e humanidade, é um país dividido, caótico e despreparado para qualquer tipo de situação, com um medo tenebroso da mudança, se preocupando com um futuro completamente utópico, e esquecendo de bens tão valiosos para si mesmos. É necessário lembrarmos sempre:

Antes de direita e esquerda, temos opiniões diferentes e as vezes contraditórias a nós mesmos.
Antes de homem e mulher, somos pessoas confusas em meio ao caos da sociedade moderna.
Antes de negro e branco, somos seres humanos que precisamos reavaliar nossas ações acerca de nós mesmos e sobre o próximo, o tempo todo, pois erramos.
Antes da Crença ou Ceticismo, possuímos o livre arbítrio, possibilitando a crítica, dúvida, indagação e questionamento.
Antes da razão e o instinto, somos seres vivos compartilhando o mesmo pequeno espaço no universo.
Antes do futuro, é necessário se preocupar com o passado.

A História está repleta de pessoas que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder, destruíram conhecimentos de imensurável valor que em verdade pertenciam a todos nós. Nós não devemos deixar isso acontecer de novo. — Carl Sagan

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