Ninguém se chama Leonardo

Ninguém se chama Leonardo. Você é Leo, e acabou. Sempre me perguntei por que os pais batizam seus filhos com um nome com o qual eles não vão ser chamados. Talvez daí venha minha vontade de botar no meu filho o nome de Júnior, mesmo ele não tendo o meu nome. Júnior, mesmo, como primeiro nome: Júnior Passos Ferreira. Por que não?
Mas o papo aqui é sobre Leonardo — ou sobre Leo, vá lá. A questão é que tem muito Leo por aí: Leandros, Leopoldos, até Leonor vira Leo! Leonardo é um nome pesado. Mas nunca rejeitei. Sempre gostei do meu nome. O problema é que meus pais não ficaram satisfeitos com um nome só. E tacaram um Bruno logo depois. Pronto, Leonardo Bruno, vai ser esse o nome do rapazote. Quem teve a grande ideia de juntar esses dois nomes tão diferentes? Leonardo é água, Bruno é óleo; não se misturam. Não para os Passos Ferreira. E lá foram eles no cartório: Leonardo Bruno!
Também não rejeitei. Curti. Até assumi como nome profissional, depois de encontrar um outro Leonardo Ferreira na mesma empresa que eu. No mesmo jornal. Na mesma editoria! Nome muito comum, né. Não dá. Tem muitos por aí. Procure no Facebook. Os Leonardos Ferreiras abundam. Foi aí que parti pro Leonardo Bruno. E agradeci a iniciativa dos meus pais de misturarem essa água e esse óleo na minha certidão de nascimento. Hoje já me apresento com orgulho.
Agora descubro pelo Censo do IBGE que há mais de meio milhão de Leonardos no Brasil. É o 26o nome mais popular do país. É muita gente! Pra se ter uma ideia, Levy Fidélix teve menos votos do que isso na última eleição presidencial. Se somente pessoas com nome de Leonardo votassem nele, o cara teria mais votos. Mas é claro que a gente não faria isso. Afinal, somos bravos, somos fortes. Leonardo significa “Leão valente”, algo assim.
O interessante é ver que a maior incidência de Leonardos se dá justamente no estado do Rio. Imaginem que maravilha viver em Roraima, onde só existem 816 Leonardos? Lá não deve ter piadas do tipo “Cadê o Leandro?”. Em compensação, também ninguém deve ser chamado de “di Caprio” na hora do galanteio. Mas aqui no Rio, não. Eles estão por toda parte. Na escola, para diferenciar os três Leos existentes, apelidaram de Leo, Leozinho e Leozão. Eu era o menor, claro. Acabei ficando Leozinho. Na época, era o nome de um personagem de novela. O marido da Fedora Abdalla era Leozinho, lembram? Eu odiava o apelido. Provavelmente menos pelo Leozinho, e mais pela Fedora. Quem quer ser casado com uma Fedora? Mas acho que não corremos esse risco. Segundo o IBGE, não há nenhuma Fedora no Brasil.