5 discos (não tão) clássicos do Blues

É fácil achar listas com os grandes clássicos do Blues. Listas que, por mais extensas que pareçam, revelam o mesmo material.

Live at the Regal, por BB King.

King of the Delta Blues Singers, por Robert Johnson.

Born Under a Bad Sign, por Albert King.

Hoodoo Man Blues, por Junior Wells e Buddy Guy.

Father of Folk Blues, por Son House.

I Am the Blues, por Willie Dixon.

Clássicos são assim mesmo — egoístas. Não gostam de disputar posição. Fincam o pé com firmeza, e só saem de lá depois de algumas gerações.

É por isso que não podemos nos limitar aos clássicos. Principalmente quando falamos de algo tão rico, tão antigo e tão múltiplo quanto o blues.

Vamos, então, pedir perdão aos preciosistas e seguir com alguns discos que não são, per se, clássicos.

1. Aux Trois Mailletz — Willie Dixon e Memphis Slim

Dois mestres, cada qual com seu instrumento, se reúnem longe da pátria amada para um concerto para seu mais novo público — o europeu. Suas vozes já estão desgastadas e o barulho da platéia é alto, mas nada consegue tirar o foco dos solos de piano de Memphis Slim ou das linhas de baixo de Willie Dixon.

2. Live at the Old Waldorf — Mike Bloomfield

O vício fez com que a produção musical de Bloomfield variasse em qualidade, mas todos que já conferiram sua obra de perto o colocam como um dos maiores guitarristas de Blues de sua geração. Em Live at the Old Waldorf, com gravações ao vivo realizadas entre Dezembro de 1976 e Maio de 1977, o músico está em sua melhor forma. Preste atenção na faixa inicial, Blues Medley, e confira sua versão de The Sky is Crying, clássico de Elmore James.

3. Right Place, Wrong Time — Otis Rush

O terceiro lugar dessa lista pertence a um álbum que por pouco não saiu do ostracismo. Gravado em 1971 pela Capitol Records, só foi lançado em 1976 pela Bullfrog. A guitarra de Your Turn to Cry é a essência de Otis Rush, mas o ponto alto do álbum fica pelo belíssimo cover de Rainy Night in Georgia, de autoria de Tony Joe White.

4. One Foot in the Blues — ZZ Top

A banda texana sempre teve fortes raízes blueseiras, e essa coletânea, de 1994, mostra o melhor desse lado. A faixa Sure Got Cold After the Rain Fell está na lista da Guitar Player para os 50 melhores solos de Blues, mas não é a única do álbum que se destaca: o vocal arranhado de Just Got Back From Baby’s nos faz pensar qual era a dose diária de whiskey de Billy Gibbons, e My Head’s In Mississipi é a essência do ZZ Top, trazendo um Southern Rock carregado de Blues.

Em tempo: o próprio Billy Gibbons já listou seus álbuns de Blues favoritos, que você confere aqui.

5. From the Craddle — Eric Clapton

O último álbum dessa lista anti-clássicos reúne apenas clássicos, mas reproduzidos por aquele que foi chamado de “God” por boa parte da segunda metade do século XX. Eric Clapton faz uso de todo seu (grande) repertório para homenagear seus ídolos da guitarra — Five Long Years é a melhor canção do disco, mas outras como Third Degree e It Hurts Me Too também são dignas de mérito.

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