
Domingos antecipados
Domingos antecipados, esses dias nublados, que me fazem sofrer.
Aqui, hoje, as horas se carregam de uma nostalgia incessante e febril
meus abortos criativos explodem com clarividência nos redemoinhos da existência
os medos, a paranoia, esboçam-se com a simplicidade de um sorriso.
Fui ver na varanda: a paralisia da rotina
ou a repetição da realidade.
Sai da janela pra tela
mas o olho nada queria ver, a mente já antevê
a invisível sintaxe das coisas e o engenho da natureza.
“Onde estou?” e “Quem sou eu?” — Me perguntava
Aí, eu abri os olhos.
E o meu caderno de anotar devaneios
Palavras cristalinas surgiam em meio a garranchos escolares
Busquei raios solares, longe das crenças obsoletas,
e fiz minha fotossíntese.
Todo esse dilema, esse diz que me diz
E a solução pro meu problema, todo esse tempo,
era brincar com um poema.
