Antropologia e História, uma pinceladinha.
(Esse texto foi originalmente escrito para uma atividade de uma disciplina de Antropologia e Historia na UFSC)
As reflexões antropológicas e históricas passam por uma dissolução de suas fronteiras nas últimas viradas teóricas que enfrentaram. Nesse sentido, cada vez mais as discussões históricas se aproximam das reflexões antropológicas ao desenvolver um enfoque cultural, pautado também na alteridade. As práticas de ambas as disciplinas continuam sendo em domínios diferentes quando se trata de uma questão de aplicabilidade do trabalho. Dessa forma o oficio do historiador continua sendo mais relacionado a questão documental e a antropológica na base da análise cultural. No entanto, o âmbito teórico de ambas as disciplinas vivem um momento de fusão, cada qual com suas respectivas preocupações. A contribuição da antropologia nesse sentido consiste na percepção de múltiplas temporalidades, de noções diferentes das categorias de tempo em diferentes coletividades. A história traz um subsídio documental sobre essas diferentes temporalidades e da forma de pensar tempo na sociedade ocidental. Nesse sentido a História é uma forma particular de pensar o tempo na sociedade ocidental. Essa noção de tempo é construída, essa percepção de uma sucessão de fatos que ocorrem numa linha temporal, uma mudança após a outra.
Nesse sentido a virada pós estrutural traz para a discussão sobre a temporalidade desenvolvida pela história o plano do simbólico. Em contraste a uma história econômica que se desenvolvia num contexto pré virada. Os perigos de uma incorporação superficial do conceito de cultura nessas reflexões sobre temporalidade é justamente o que faz com tal conceito acabe sendo deixado de lado pela antropologia. Já que o conceito de cultura passa a ser apropriado por diversos discursos de explicação, tornando essa apropriação superficial e perigosamente fechada. Na visão antropológica o conceito de cultura não corresponde a uma unidade fechada, um conceito de monada independente e com limitações claras. Muito pelo contrário, são redes de significados e projetos que se misturam e produzem sentido de acordo com o contexto em que se dão. Dessa forma uma contribuição para a discussão da temporalidade dentro da história é justamente pensar a questão do tempo como algo que se constitui de acordo com o contexto e com as redes em que esse discurso está sendo produzido. Se servindo de, e servindo aos, envolvidos em tais redes.
Desde 2004 o conceito de história cultural passa a ser quase redundante, já que esses aspectos foram abordados de forma a tomar parte da própria estrutura de pensamento da disciplina. A história passa a ser assim uma forma particular de pensar o tempo de acordo com as redes em que se está inserido.