Ágil! Mas e na prática?!

Há uns dois anos, sentimos a necessidade de buscar atender melhor o mercado, fazendo entregas de valor e consistentes, de maneira mais rápida, e começamos a implantar a metodologia Ágil, onde o grande desafio era mudar a cultura de uma empresa de 1300 colaboradores, já expert em processos cascata, com planejamento e execução muito forte, mas com grande complexidade de manobras dentro deste planjeamento.

Começamos a buscar apoio, seja trocando experiências com empresas parceiras, ou buscando ferramentas e principalmente profissionais com experiência no assunto, e então, começamos a respirar este movimento.

O que mais chama a atenção em uma mudança como essa é que por mais que as informações pesquisadas e compartilhadas fazem sentido, sempre parece haver um empecilho para transformar o mindset.

Hoje, passados dois anos desde que começamos efetivamente esta mudança, penso que não se deve tentar mudar o mindset de forma instantânea. As experiências anteriores são valiosas, e necessárias para provocar, refletir e entender as mudanças.

O Agil não é algo milagroso, ou revolucionário por si só. Não é algo que resolve todos os problemas e também não o considero como algo definitivo e imutável. Considero ser um excelente guia para simplificar o desenvolvimento de software.

As primeiras experiências — principalmente falando de um software de legado, com linguagem não atualizada, dificuldades com testes automatizados e rotinas complexas desenvolvidas durante anos — foram difíceis, era complexo quebrar em estórias pequenas e conseguir planejar a curto prazo.

Pensar em valor ao cliente sem ter um software pronto as vezes não fazia sentido, o conceito de MVP aparecia em todas as conversas.

Imagine-se dentro de um avião em pleno vôo e o piloto comunica aos passageiros um pane em um dos motores. Depois de alguns minutos em silencio ele avisa que o motor será trocado, passa um tempo de expectativa para terminar o serviço e o que se espera ao final.

Durante todo o restante do vôo nenhuma comunicação é feita. Depois de algum tempo o avião pousa, mas em outra cidade, devido à dificuldade com a manutenção.

Uso esse exemplo para fazer uma analogia como nosso desenvolvimento com e sem ágil. O cliente contrata uma solução, recebe um prazo de acordo com o escopo e no final, depois de um tempo geralmente longo recebe algo parecido com o que tinha solicitado. Assim como as pessoas que compraram a passagem deste vôo, tinham como expectativa ir de uma cidade a outra e não conseguiram obter êxito.

Imagine se neste exemplo o piloto tivesse deixado os passageiros com informações o tempo todo sobre o que estava acontecendo, como estava a troca do motor, que a viagem seria desviada para outra cidade, com certeza seria muito mais tranquilo e efetivo.

É com esta analogia que trago um dos maiores benefícios de implantar o ágil, gerar valor nas entregas para os clientes, tendo profissionais comprometidos dentro da empresa.

Recentemente, recebi um desafio de atuar em uma célula de desenvolvimento com foco em software para Varejo, uma equipe de quase 20 pessoas, com projetos de desenvolvimento há 5 anos e em paralelo algumas implantações da solução ocorrendo.

Nosso desafio era ainda maior devido à grande necessidade de mudança de escopo que o Varejo possui, além de uma série de implementações necessárias para deixar o software de acordo com as expectativas dos clientes.

No começo, o principal desafio foi conciliar as expectativas de prazo e escopo, com relação a capacidade produtiva do time que, por melhor que o time fosse (diga-se de passagem o time é F..A) não era possível atender.

Então começamos a mudar o jogo, trazendo os clientes para dentro da nossa realidade, começamos a fazer visitas recorrentes para auxiliar os clientes a entender melhor seus problemas e suas necessidades. Resolvemos vários destes problemas, apenas orientando ou mudando o processo, com o software do jeito que estava.

O segundo passo foi fazer um levantamento adequado das necessidades e já combinávamos com os clientes como seriam feitas as entregas, como eles receberiam as alterações.

Trazíamos esta necessidade, que havia sido levantada por parte do time, compartilhávamos com todos e saíamos com uma definição de solução e estimativa de tempo. Fizemos isso com uma centena de necessidades, entregas pequenas, de 8 horas, como conjunto de entregas que juntas somavam mais de 300 horas…. Passamos por integrações com outros sistemas, relatórios, filtros, telas novas, soluções que melhoravam o processo e faziam o cliente ter ainda mais informações como dashboards. A cada passo de nossas sprints, validávamos com o P.O, mas também de tempos e em tempos validávamos com os clientes e ao final, fazíamos uma apresentação geral para os clientes (em conjunto inclusive), sobre as nossas entregas.

O principal desafio era conciliar o interesse em ver as soluções prontas no menor tempo possível. Sendo que os próprios clientes tinham interesses distintos dentro da solução e com a mesma expectativa de prazo, sempre “para ontem.” Mostrar a realidade e combinar as entregas com entregas menores, porém mais constantes e trazê-los para participar do processo de desenvolvimento, demonstrando nossa capacidade produtiva e fazendo com que eles pudessem acompanhar as entregas acontecendo e evoluindo, fez com que virássemos nosso cenário do caos e estresse, para foco e produtividade, onde todos da equipe se sentem importantes, parte do processo e da solução e ao lado dos clientes.

Ou seja, não é só uma mudança nos processos e na forma de fazer, e sim mudança de atitude e vontade de fazer diferente, melhor, que traga mais resultados e que valorize as pessoas e a empresa pra qual você atua. Nem sempre seguimos 100% das práticas, nem sempre acertamos, porém o que não pode ser feito é esquecer do principal objetivo, entregar valor aos clientes, então se for preciso ignorar alguma pratica, fazer diferente, fazer algo que não seja o by the book, não importa, o importante é o resultado!

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