Porque descriminalizar o aborto não é a solução

Infelizmente, aqui no Brasil, o aborto se tornou sim uma questão social. Isso é inegável: apenas as mulheres com maiores condições financeiras abortam seguramente. Porém, esquece-se de um debate que deveria preceder ao aborto: educação.

Percebe-se uma redução dos índices de mortalidade de mulheres por abortos em países onde o mesmo foi legalizado, assim como percebe-se um aumento — muito mais agressivo — nos níveis educacionais nesses mesmos países em relação ao Brasil.

Em 1990, o índice de aborto nos países desenvolvidos era de 39%. Onde a prática é legalizada, o índice caiu para 28% em 2010. Porém, a educação nesses mesmos países subiu na mesma proporção. No Brasil, apenas 15% da população possui ensino superior. E os dados são da OECD. E isso mostra o quão evidente é algo já conhecido: o índice de gravidez diminui conforme a índice educacional aumenta.

Existe um risco para toda e qualquer relação sexual — mesmo com todas as opções contraceptivas: a gravidez. O maior nível educacional gera uma maior reflexão sobre as consequências de quaisquer atos na vida humana, seja ela na vida profissional, emocional, política e sexual.

Descriminalizar o aborto diminui o índice de mulheres mortas por procedimentos clandestinos. Educar a população para uma gravidez cada vez mais planejada diminui a necessidade da solicitação do aborto. Ou seja, educando morre-se menos mulheres e menos crianças.

Tratar o aborto como causa é o paliativo de um problema muito mais profundo da nossa nação.