O Pinóquio é um pilar da sociedade

Toda estrutura resguarda certa maleabilidade. Por um princípio básico: sua rigidez seria seu próprio desmoronamento. As pontes não são firmes como rochas. Há flexibilidade no contexto geral de sua arquitetura. E manter-se num balançar estimulado é, justamente, fato que equilibra tal existência.

A natureza é a mãe da adaptabilidade. Inclusive, algo natural não é nada mais do que objeto ou pessoa que adaptou-se a uma ação e cultiva sua realização dentro de uma rotina. O sol nascer e morrer. A onda crescer e encolher na areia. O organismo existir e inexistir posteriormente. Nosso ambiente estruturou processos e pela sua repetição instantânea se tornaram naturais. Esse formato é copiado por coletivos gerais. Ou seja, qualquer grupo criado, espontaneamente ou não, consolidará esta regra. Construir um aspecto natural é primordial para persistência da vida do agrupamento. Assim como atravessar a parte processual. Pois nem toda atividade transforma-se em naturalidade, pelo contrário, o desenvolvimento social dentro do coletivo elimina determinadas movimentações afim de sustentar sua existência. Graças a este viés sociológico, desistimos dos assassinatos, em épocas normais, e condenamos praticantes.

Humanos são gregários. Possuímos o desejo profundo do abraço imaginário. Da aceitação. E por isso o Pinóquio luta tanto por pele, osso, coração e mente. Ser único não é apenas ser diferente, é também ser desigual. E a desigualdade é o alvo da nossa batalha mais contemporânea. Portanto, não a queremos. Nem para o indivíduo, nem para a sociedade. Pinóquio percebera isso. Sendo assim, desenvolveu a arte milenar que reside no humano mais simples. O boneco de madeira não criou a mentira. Ele usa sua forma mais pura perseguindo um objetivo natural. A mentira é caminho dissociável da agregação. Mentir é inteligência social. Não entenda errado: formar-se mentiroso jamais fará parte do cerne coletivo. O conceito da mentira não pode estar ligado ao prazer do interlocutor ou ao prejuízo de seu receptor. Quando na qualidade de pilar social é na razão de uma presença necessária para convivência humana. Exemplificando: uma mãe que mente para seu filho, alegando que a situação familiar é positiva, apenas tenta agregar seu sucessor genético a tranquilidade que tenta transmitir.

Não minta como desculpa. Não minta como gasolina para sua carreira. Jamais minta para danificar alguém. Minta para manter o grupo. Minta para seu filho não chorar desesperado. Minta para seu amigo porque não deseja que ele saiba da festa surpresa antecipadamente. Minta que está bem quando perceber que alguém está pior. Minta para ajudar. Minta apenas quando a mentira pode ser descoberta sem consequências. O nariz deve crescer quando fluir a felicidade no outro, nunca quando atrair decepção.

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