Peixe de Vidro
Diga-me, como se sente,
através desses olhos de vidro,
como espelhos sem lente?
Diga-me sobre pessoas de papel
Esboços de enfeite, presos
em obras de ninguém.
Diga-me sobre caixas vazias,
consciências limpas ,
corações que não sangram mais.
Ah, fale-me do mel,
do véu sem cabeças, no escuro céu.
do infinito repleto de nada.
Da rotineira caminhada,
se para frente ou para trás, tanto faz.
Se o de cima confundiu-se com o de baixo,
e o abismo ganhou estrelas e o poente já nasce,
Já nasceu, morreu. Nasceu de novo e nada.
Das manhãs de cama que viraram noites inteiras.
O que são essas palavras, amigo?
Diga-me,
Através desses olhos de vidro,
sou espelho ou reflexo?