Como criar um produto de alto impacto!

Criando produtos que resolvem problemas e mudam o mundo pra melhor.

Eaí pessoal, tudo bem?
Hoje eu vou dar continuação ao artigo anterior que falava sobre propósito e produto, que na minha percepção devem ser as duas principais coisas a se pensar antes mesmo de abrir uma empresa.

Mas falar “o que” fazer não é muito difícil. 
Problema é falar “como” fazer.

Como eu não sou nenhum psicólogo ou coach que vai te ajudar a chegar no teu propósito através de técnicas de auto conhecimento, vou abordar o assunto PRODUTO, que é a parte mais técnica e ao meu ver, mais fácil até do que encontrar o tal propósito.

Normalmente, o empreendedor no Brasil primeiro cria uma solução em forma de produto ou serviço e depois procura um problema que aquela solução resolva. Mas o correto é exatamente o contrário.

Primeiro se encontra um problema que as pessoas estão tendo. Depois se cria um produto pra resolver esse problema. E isso não quer dizer que as pessoas saibam como resolver seus problemas.

Ninguém vai te dizer: “abre a empresa tal e oferece um serviço assim porque eu tenho esse problema e quero que tu resolva pra mim”.

O próprio Henry Ford dizia que se ele tivesse ouvido exatamente o que as pessoas queriam e pediam, ele teria feito cavalos mais rápidos.

Pra abordar esse tema, eu fiz um compilado de conteúdos sobre criação de produto e creio que independente da fase que a tua empresa se encontra, é possível aplicar essas técnicas, com o intuito de enxergar a empresa sob uma nova perspectiva e não ficar parado no tempo.

Alguns consultores e empresários recomendam que a primeira coisa a se fazer ao começar a criar um produto é montar um bom plano de negócios. Ok, um business plan é melhor do que nada. Mas essa ferramenta é mais adequada para o pós produto, pois um plano é criado para executar ações dentro da empresa, mas quais ações se nada foi criado ainda, entende?

Então é por isso que se começa criando o modelo de negócios antes do plano. Para isso, recomendo usar a ferramenta business model generation (just translate). A partir de agora vou chamar de BMG e é sob essa perspectiva que vamos desenvolver o assunto.

O desenvolvimento do BMG ajuda o empreendedor a enxergar uma ideia de forma mais rápida e fácil, através de uma estrutura chamada canvas (abaixo) usando uma metodologia chamada design thinking. Pode parecer complexo, mas vou mostrar do que eu to falando. Olha ai.

Esse é o canvas!

Esse formato de ferramenta permite que ao desenvolver um modelo de negócios, tu não fique percorrendo um documento gigante com várias e várias páginas sem enxergar a conexão entre elas. Além disso, o canvas auxilia a visualização do encaixe estratégico que permite analisar o sentido entre as áreas, como cada uma se inter-relaciona com as outras e o “porquê” delas. Assim, é possível realizar e testar hipóteses em cada área de forma visual e didática.

Resumidamente, eu vou explicar a importância de cada um dos tópicos do canvas e porque é a melhor ferramenta pra se criar um produto de alto impacto.

1.SEGMENTOS DE CLIENTES

O teu negócio precisa ser desenvolvido a partir da perspectiva do cliente. De preferência, um nicho de clientes bem específico.

Pra isso, tu precisa se perguntar qual fatia de mercado tu vai atender? Para quem estamos criando valor e resolvendo problemas?

Quem vende pra todo mundo, não vende pra ninguém.

2. PROPOSTA DE VALOR / OFERTA DE VALOR

Após entender que problema tu vai resolver dessa fatia de mercado, é preciso saber que benefícios tu vai entregar em forma de produto ou serviço.

Esse é o motivo pelo qual os clientes escolhem uma empresa ou outra.

Qual valor entregamos ao cliente? Qual problema estamos ajudando a resolver? Que necessidades estamos satisfazendo?

Cada proposta de valor do teu produto é um pacote de soluções que supre a necessidade de um determinado segmento de clientes.

3. CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO

Os canais são os pontos de contato dos clientes com o teu produto e são papel fundamental na experiência que o cliente terá da tua empresa.

Por quais caminhos a tua oferta de valor chega até os segmentos de clientes? Qual funciona melhor? E quais tem melhor custo-benefício?

Aqui estamos falando em pontos de comunicação, vendas e distribuição do produto e serve para que o cliente tome conhecimento, aprenda, compre e use o produto.

4. RELACIONAMENTO COM CLIENTES

Esse tópico descreve os tipos de relação que a empresa estabelece com os clientes, sejam elas pessoais ou automatizadas.

Que tipo de relacionamento cada um dos segmentos de clientes espera que tu estabeleça com eles? Qual o custo de cada um? Quais já são utilizados?

O relacionamento descreve como evitar que seus clientes corram para seus concorrentes, por diversas questões, seja preço mais baixo, proximidade, etc. Esse é um ponto muito importante na retenção de clientes e dependendo do modelo, é crucial pra sobrevivência do negócio.

5. FONTES DE RECEITA

A fonte de receita é área vital de todo modelo de negócio e aqui tu precisa te perguntar quais os valores que cada segmentos de clientes está disposto a pagar pela tua proposta de valor.

Como o cliente pagará pelos benefícios recebidos? E quanto?

Existem diversas formas de gerar receita com um mesmo produto ou serviço e é preciso levar em consideração a forma de cobrança para que possa gerar o máximo de valor para modelo de negócio.

6. RECURSOS PRINCIPAIS

Os recursos principais são os ativos fundamentais que a empresa precisará para criar o produto. Aqui entra a parte operacional que fará o modelo de negócios ser executado.

Todos os modelos de negócios precisam de determinados recursos principais, que podem ser físicos, intelectuais, financeiros ou humanos.

São recursos que sem eles não existe proposta de valor.

7. ATIVIDADES-CHAVE

Além dos recursos principais, quais as atividades que a empresa precisa executar para criar a proposta de valor? A resposta disso são as atividades-chave.

Essas atividades são aquelas sem as quais a empresa não consegue criar nem oferecer o produto.

Anda lado a lado com a operacionalização dos os recursos principais e podem ser entendidas como os processos da empresa.

8. PARCERIAS PRINCIPAIS

Aqui é descrito quais as alianças a empresa fará para garantir o melhor aproveitamento do seu modelo de negócio. Nenhum modelo de negócios é auto-suficiente e precisará de staff para suprir as atividades que não for da expertise dele.

Redução de riscos, aquisição de recursos e melhorias são fatores que parceiros estratégicos podem agregar ao modelo de negócio afim de se tornar ainda mais competitivo e eficiente.

Ou seja, são as terceirizações que a empresa faz. Qualquer matéria prima ou trabalho feito por quem não está no quadro da empresa entra nessa área.

9. ESTRUTURA DE CUSTOS

Quais os principais custos que esse modelo de negócio terá pra conseguir criar a proposta de valor? Quais os mais caros?

Os custos da operação em sua grande maioria vêm dos recursos principais, das atividades chave e das parcerias principais, que juntos, são o motor do modelo de negócio, que fazem tudo funcionar.

É preciso olhar de forma geral sobre toda a estrutura de custos que as hipóteses do canvas geraram e mostrar a quantidade de fontes de receitas que deverão ser geradas para cumprir a proposta de valor.

Bah que difícil isso!!!

Definitivamente, esse é apenas um resumo dos tópicos do canvas.

Quem quiser se aprofundar mais no assunto, deixo aqui o site oficial do BMG:
https://strategyzer.com/ e ainda, sugiro que comprem o livro que custa em torno de R$ 70,00.

Criar um modelo de negócios não é tarefa fácil, mas na medida com que se começa a testar hipóteses e entender como o game funciona, o cansaço dá lugar à empolgação e se torna mais divertido do que chato.

Falo por experiência própria.

Fiz o canvas da Beagle Ship nos últimos dois anos, além de testar com o modelo de negócios de alguns dos nossos clientes.

Os 9 componentes que escrevi acima são os tópicos que precisam ser pensados na hora de criar um modelo de negócios através do canvas. Além disso, a metodologia sugere alguns padrões de modelos de negócios para que tu possa criar o teu baseado no que já deu certo, bem como, ensina a preencher o canvas ensinando todo o processo de design e execução de como tu pode descobrir cada uma das áreas.

Existem muitos ebooks e conteúdos sobre esse tema na internet. O que eu fiz foi colocar da forma como eu enxergo, através das minhas percepções, para que tu entenda o assunto mais facilmente. (Alguns artigos e ebooks são genéricos e outros são muito técnicos e difíceis de entender, te desestimulando a continuar o processo, por isso escrevi com a minha personalidade).

Agora é hora de colocar em prática o “como” chegar a cada um desses tópicos. Existe um processo e um método pra desenhar o modelo de negócio.

Se quiser saber mais sobre isso, ou espera o próximo artigo, ou entra em contato comigo. ;)

Espero que tenha gostado!
Abraços!