Você foi como aquele sonho bom que durou menos que a neblina daquela manhã de 11 de outubro de 2015.
Não vou falar mais das surrealidades. Das coisas que não vivi com você, mas quis. Quis ter vivido, ter passado um café pra você. Eu quis ter ido contigo ao cinema, quis ter te levado ao parque municipal. De verdade, eu quis mesmo, quis ter te dito mais vezes que eu te amava, quis ter demorado mais o olhar no teu sorriso. Quis ter brincado com a sua barriga, acariciado seu peito e suas mãos, milhões de vezes. Mas essas milhões de vezes nunca vieram, nunca deixaram de ser duas ou quatro. E por falar em quatro, lembra que a gente conversava até às 4h da manhã sem medo da hora passar rápido? Você lembra que a gente se fazia companhia em todos os horários? Menos pela manhã, porque pela manhã eu não acordo. Mas ao meio dia era certo que eu teria um bom dia seu e você o meu retorno. Eu ainda não sei o que aconteceu pra você ter escolhido a distância… Eu sei, eu sei, não falo dessa distância transposta por quilômetros. Essa daí era fácil de lidar. Eu falo da que se fez, quando a gente já não se fazia mais tanta companhia assim. Quando não tinha eu nem você até às 4h. Eu to falando do espaço que ficou vazio num lugar que a gente ocupou sem estarmos fisicamente presentes. E como a gente soube ocupar espaços sem estarmos presentes, não é mesmo? A sabedoria em gerir-los foi tanta que eu nem me apercebi da hora em que a gente desaprendeu. Eu nunca pensei que fosse me apaixonar assim por alguém que não estivesse por perto. Nunca imaginei também que pudesse doer tanto a saudade de alguém que eu encontrei raríssimas vezes, nem que fosse possível sentir algo tão forte dessa natureza. Nunca me imaginei tão frágil diante das coisas. Hoje em dia eu penso, só pode ter sido a minha chatice, eu não sei. Foram tantas as explicações que pedi, nenhuma foi satisfatória. Talvez tenha sido isso, a minha insatisfação. Como é que eu vou saber? Mas foi bom mesmo assim. Foi bom ter te chamado de meu bem, enquanto não podia te chamar de meu amor, ter dito eu te amo — mesmo com medo — . Você me ensinou algo novo: dizer, em alguns momentos, é tudo o que a gente tem. Nessas horas,precisamos dizer mesmo sem ter certeza sobre o que dizemos. No fim das contas, a vida há de revelar todos os mistérios. Ela trata de desatar todos os nós. Foi assim com a gente. Foi o que aconteceu com tudo o que eu quis ter realizado com você e não pude.
Eis o mais belo e triste disso tudo: Você foi como aquele sonho bom que durou menos que a neblina daquela manhã de 11 de outubro de 2015.
P.S.: Eu te amei, sem vergonha nenhuma.