Radicalismo nefasto

Vivemos um momento complexo no mundo. Vemos a passos largos uma crise de instituições, ideias e propostas. Mas nada se compara a crise de uma “instituição” importantíssima: o diálogo. Sim, ele mesmo. O que isso significa?

O diálogo é a pura essência de uma civilização. Através da nossa capacidade de conversar e trocar ideias podemos chegar a acordos sociais que nos permitem viver em certa harmonia. Isso vale para todos os núcleos sociais (família, escola, trabalho, cidade, país, etc). É parte de nossas vidas. Porém, vivemos um momento de desmoronamento dessa capacidade. O radicalismo e o extremismo estão mais fortes do que nunca e acontece em todos os níveis.

O Facebook e outras redes sociais se transformaram em tribunais penais onde tudo é preto ou branco. Não existe nada além e não existem outras cores e nuances. Assistimos pessoas sendo julgadas e condenadas sem nenhum critério ou análise crítica. Assistimos notícias falsas sendo divulgadas e difundidas sem nenhuma preocupação e discernimento — contribuindo para a propagação do ódio e para a desinformação. Pessoas perdem amizades e viram inimigas em um clique. Reputações que demoraram anos para serem construídas são destruídas em dez minutos.

Ao mesmo tempo, muitos movimentos sociais e políticos importantes de todos os lados (da direita e da esquerda) estão presos a dogmas e ideias próprias que servem como grilhões que os prendem em eterna ignorância em relação ao contraditório. Personagens como Donald Trump (para ficar apenas como um exemplo externo) ganham notoriedade e poder disseminando ideias tacanhas para problemas complexos e difíceis — massacrando ideias opostas e acabando com reputações alheias.

E onde entra o diálogo em tudo isso? O diálogo é a construção de pontes, consensos e de certa harmonia. É também você respeitar o contraditório e ideias opostas sabendo lidar com elas e aprendendo alguma coisa. É uma certa dose de empatia.

Estamos fadados ao fracasso se perdemos essa capacidade. É preciso que façamos uma profunda reflexão sobre a importância dessa instituição para que as outras funcionem.

O radicalismo é um campo minado de preconceitos e cegueira que nos leva a sombra e ao isolacionismo.

Qual caminho queremos seguir?