Sobre Falsos Deuses

Acredito nunca ter testemunhado na minha vida um momento tão delicado como este que estamos vivendo agora. De fato, é como estar assistindo a tudo na primeira fila. Espectador que interage com a peça em questão. É claro que a história nos ensina através dos seus papéis quem foram os mocinhos e os bandidos, quais valores foram tidos como certos ou errados nas diversas eras que a humanidade viveu e o que era e o que não é mais. Entretanto, estar de frente com nossos demônios assim, como se fossem nossos reflexos no espelho, é uma novidade que anda chocando a maior parte das pessoas.

Nós não éramos um povo pacífico e fomos nos tornando hostis uns com os outros. Sempre fomos hostis, aliás, não só uns com os outros, mas com tudo que pareça ser utópico o suficiente para ameaçar o mínimo de paz que a zona de conforto nos confere. Mas, é a primeira vez que nós não conseguimos fugir deste embate inevitável. E nós estamos tendo que encarar a nossa verdade. E nós estamos falhando…

Força de vontade

A clássica imagem da formiga que levanta algo mais pesado que a sua própria capacidade. Tão clichê, mas tão atual.

No século XVII, um filósofo chamado Espinosa nos deu a definição do nós entendemos comumente como potência de agir. O seu conatus nos informa um fato triste: nós existimos, de fato? Talvez sim, talvez não, pois o que nos torna vivos por excelência é a nossa capacidade de agir, a nossa força motriz, o que nos dá motivação para reconhecer a nossa existência. Alguns poderiam entender isso como um propósito de vida, outros poderiam entender como Deus, enfim.

Talvez se Espinosa vivesse nos nossos dias, trocaria o termo “potência de agir” pelo termo “vontade de viver”. E talvez constatasse que nunca existiu uma civilização como a nossa, tão sem vontade de viver.

Essa apatia se traduz na forma como as pessoas lidam com seus problemas, e não falo aqui sobre problemas como pagar contas ou ter um bom emprego, mas problemas de origem, problemas de causa.

O terreno é fértil para o Falso Deus aí…

O Falso Deus

Saia da sua Matrix!

A falta de vontade faz com que as pessoas percam sua capacidade de raciocinar, pensar, construir alicerces para suas vidas já tão atribuladas. O nosso cotidiano nos consome. Pessoas que simplesmente não vêem outra alternativa a não ser venderem suas almas a uma vida fadada ao fim precoce e sem legados, pois é assim que pagam as contas. Pessoas que se impressionam com qualquer coisa. Qualquer entretenimento que possa causar uma brecha nessa parede impenetrável desse cativeiro em que foram postos parece útil, parece genial. Parece a resposta para todas as perguntas.

Não. E enquanto as pessoas não acordarem da sua Matrix, nada mudará.

Tempos de crise exigem que tenhamos pensamentos próprios e que não neguemos nossa natureza. Cada ser humano possui um dom e esse dom é o grau máximo da sua vontade de viver. E inerente a cada dom existe um sem número de possibilidades abertas de prosperidade e empreendedorismo, de forma que as pessoas que abraçam seus próprios valores tem aí a chave da sua vontade de viver máxima.

E é onde o Falso Deus ataca, dizendo coisas sobre ele mesmo, de forma que se aplique àqueles que ainda tem a ilusão da existência de gurus e fórmulas matemáticas a serem seguidas em busca de uma vida plena.

Cada vida vale de uma forma. E cada vida pertence a um destino diferente. E a falta de vontade de viver faz com que as pessoas percam a única habilidade inerente à existência por si só: a habilidade de identificar para si mesmo qual o melhor caminho para sua própria vida.

Ressuscitemos!

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