Empatia e um vinho

Cara, se tem algo que pode transformar o mundo é a empatia.

Tipo, é algo que é processual, quero dizer — dá pra ter MAIS ou MENOS empatia. Não é que nem democracia — ou é ou não é.

Hoje eu fui mordido pelo meu cachorro. Foi uma merda. Essa porra desse iorquishaire se enfezou e me mordeu. Só que ele é bacana e só usou 70% do poder de luta dele. Não rasgou a carne, não fissurou o osso.

Eu fiquei de cara na hora. Pulei, puxei o dedo com a outra mão e fiquei “fiadap***”!!! Deu vontade de bater nesse cachorro miserável, MAAAS como aprendi com um pichulinho de 5 anos esses dias: “Tio, ficar brabo não é o problema, a gente pode ficar brabo, o problema é o que a gente faz quando tá brabo”.

Pronto.

Cara, esse piazinho salvou meu dog de levar umas chulapadas! Eu consegui me enxergar sendo o cachorro, do tipo “meu, esse ser só tem a boca pra comer, se comunicar, pegar objetos, se defender, beber água, segurar as coisas… Não é culpa dele” digo, e eu aqui com polegar opositor e encéfalo desenvolvido reclamando. É ÓBVIO que eu vou levar umas mordidas desse maldito. Eu não ensinei ele a não morder!

Só que a sacada ta aí: eu consegui graças ao serzinho de 5 anos, entender que a frase “se eu fosse você” tá incompleta. O certo seria “se eu fosse você, SENDO VOCÊ”, ou seja, se botar no lugar da pessoa imaginado ser a pessoa, a frase mesmo seria “se eu fosse você, sendo você, eu faria…”

Véi, é aí que a parada mora!

Tipo!

Tem uns 385 estudos que mostram que a gente só é o que a gente é por ter nascido no dia, no ano, no lugar, com a família e os amigos e no momento social específico para fazer aquela determinada coisa. Quero dizer, tem 385 estudos que mostram que se o Bill Gates (Mark Zuchenberg, Steve Jobs e até Seu Pai) tivessem nascidos 5 anos antes ou 5 anos depois, eles não seriam quem eles são.

Ou seja! Se você fosse filho de um traficante da periferia e de uma mãe prostituta, você provavelmente estaria fazendo o mesmo que o Luiz — filho de pai traficante e mãe prostituta — você estaria morto!

Essa é a parada- A galera olha pro estuprador como — um ser fodido que fode com a sociedade, maluco, que usurpa as mulheres e esfola a galera. Só que ninguém vê que esse mesmo sujeito, anos atrás, foi esfolado pela sociedade, usurpado pelos pais e fodido na criação. Estuprado, abusado e feito de louco pelas pessoas!

BAI!

E é aí que eu quero chegar. Será que eu sou alguém que prega a empatia ou eu sou alguém empático? Eu deleto a pessoa que tem um pensamento diferente do meu e fico feliz que nem um idiota? Eu tenho pensamento crítico pra conseguir me completar de todo e qualquer pensamento crítico sabendo identificar o que me compõe e o que me decompõe? Cara… Acho difícil, eu mesmo, tenho dificuldade, mas tamo aê.

Ser humano empático de verdade, tá pra nascer. Sempre tá pra nascer. E sempre tá nascendo. Porque na real todo mundo nasce assim, só que ninguém permanece.

Ah! E o vinho é porque eu tava bebendo ao escrever isso, o que que tem? Empaztiza aí!

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