O problema do Brasil é o PMDB

Olhando em perspectiva eu preferia, sinceramente, que tivéssemos vivido uma ditadura de partido único. O PMDB era uma farsa desde aquela época.

PMDB 1966–1985 (MDB): partido laranja que tinha como única função dar legitimidade a um regime sanguinário. Nunca foi uma ameaça de fato ao regime.

PMDB 1986/1989 — partido que tentou solapar avanços da Constituição de 1988, ajudando a consolidar uma modelagem política corporativista (sim, é muito por causa deles que temos o modelo político atual, que só elege líder corporativo, religioso ou gente famosa)

PMDB 1990/1994 — partido que consolidava conceitos patrimonialistas como o municipalismo enquanto dilapidava estados como São Paulo. Atrasou a implantação das inovações da Constituição de 1988 a ponto de algumas delas, como o IGF, não terem sido implantadas até hoje.

PMDB 1995–2002: chantagista do PSDB, especialmente depois de ganhar dinheiro pra aprovar a reeleição em 1997 e poder pra impedir processo de impeachment em 1999, quando FHC viveu situação de impopularidade similar à de Dilma em 2015.

PMDB 2003–2014: chantagista do PT até o limite, especialmente após o Mensalão, quando o partido começou a trocar cargo por apoio, como fazia o PSDB.

PMDB 2015–2016: conspirador, em nome das forças mais retrógradas do país: o patrimonialismo industrial e o coronelismo familiar tradicional.

O PMDB sempre foi o câncer desse país. O problema é que por muito tempo foi um câncer quase assintomático, porque existiam outros problemas mais urgentes a serem resolvidos.

Não estou isentando de culpa todos os partidos que se aliaram com essa escória política que é o PMDB. Sabiam da índole do partido. E não se esforçaram para se livrar dele em nenhum momento. Tanto que o PSDB, que já foi refém no governo FHC, está lá apoiando eles de novo. E a direção do PT já deu mostras de que se aliaria facilmente com o PMDB, mesmo após o impeachment.

Mas algo é certo: só terão meus votos daqui em diante os políticos que se comprometerem a mandar o PMDB pra oposição. Nem que eu só vote nulo daqui em diante. E nem falo isso pro causa do impeachment, em 2014 eu votei 15 no segundo turno, em protesto, porque sabia que, independente do ganhador, o PMDB continuaria mandando no país.

A única coisa que eu espero, inclusive, é que agora o PMDB finalmente vire vidraça e apanhe do povo até definhar, apesar da imprensa amiga, do apoio empresarial, do Congresso cooptado, do Judiciário que faz vistas grossas e da repressão que eles farão contra qualquer tipo de oposição.

E repito uma frase de 2015: se hay PMDB, soy contra.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Leonardo Rossatto’s story.