Seres nem tão humanos assim

Acho que há uma tremenda falta de humanidade

Ultimamente me pego pensando bastante sobre humanidade, seres humanos, relações humanas e até que ponto realmente podemos nos considerar “humanos”. É difícil pensar e falar disso sem comparar nós, homo sapiens, com os demais animais que existem por aí. Afinal, somos todos animais — por mais que, muitas vezes, esqueçamos deste fato.

Pensando na história como ela nos é ensinada, tudo sempre foi complicado para o ser humano. Ou melhor, o ser humano sempre complicou tudo. Vamos voltar para a pré história um pouquinho. O homem evoluiu do macaco, pelo que é dito, e “os mais fortes sobrevivem”, ou algo assim. No caso, teríamos o homem como o “mais forte” por ter inteligência e porque conseguiu descobrir o fogo, fazer armas. Coloca um homem e um leão juntos e vê quem vai sobreviver.

Bom, também tem a frase que diz que não é o mais forte ou o mais inteligente, e sim o que se adapta melhor às mudanças. Acho que essa adaptação também se dá pela inteligência, não? O ser humano criou a própria mudança pra se adaptar. Criaram civilizações, cidades, capitalismo, formas de viver, formas de pensar. Os outros animais não fizeram isso, eles se adaptaram como puderam. E tiveram que se adaptar de acordo com o que os humanos fizeram. Não sei de onde você está lendo esse texto, mas com certeza ele já pertenceu aos animais e, provavelmente, agora é uma selva de asfalto e concreto e pessoas e barulhos.

Então, prosseguindo nessa nem tão bela história, o ser humano fez o que? Fez isso de criar os modos de viver. Bem antigamente já começaram a pensar que o homem e a mulher deveriam ficar juntos. Que os negros e os brancos não deveriam se misturar. Que os homens iriam trabalhar e que as mulheres ficariam em casa. Ideias essas que, atualmente, a gente vê o quanto estragaram o modo que o mundo se consolidou, não é mesmo? Agora é preciso fazer leis para proteger a população LGBT, de mulheres e de negros. Infelizmente o mundo teve que chegar a esse ponto de fazer leis, já que os humanos não tiveram a capacidade de notar que é todo mundo igual.

Além disso, outra coisa que não tem nada a ver com os seres humanos também precisaram de leis. Eles, que não tem nem leis entre si: os animais. E as plantas também. Simplesmente acabaram com algumas espécies de animais, que nunca mais vão voltar. E tem outras sumindo. Sem falar das florestas. Quantas espécies de árvores devem estar em extinção? Quanto já não se desmatou pelo próprio privilégio humano?

Outra coisa dentro da linda história do Planeta Terra: quando decidiram expandir esse pensamento pelos continentes. “Ah, vamos viajar pelo oceano e descobrir o que tem do outro lado.” Chegam do outro lado. O que tem no outro lado? Tem muita coisa diferente. Inclusive índios. “Hm, índios, interessante. Eles tem um Deus diferente. Vamos fazer eles acreditarem no nosso. Ah, e vamos acabar com essa árvore bonita aqui, esse tau de Pau-Brasil.”

Tá, não foi assim que aconteceu, obviamente, mas deu pra entender meu pensamento, eu acho. O que quero dizer é que simplesmente acharam que era melhor que todo mundo pensasse igual e tivesse as mesmas crenças. O pior de tudo é que hoje em dia, em pleno 2016, sei lá quantos mil anos depois, ainda tem gente que pensa assim. Tem gente achando que todo mundo tem que ser igual, que não pode aceitar tal pessoa por causa de sua condição sexual. É impossível acreditar que tenha gente pensando assim.

Vamos desviar o olhar novamente para a natureza. Tantos animais, tantas plantas. Todos são diferentes. Não é lindo? Essa diferença toda? Ter várias coisas diferente para descobrir, para olhar, para se apaixonar?

E porque não podemos ter isso com os seres humanos? Porque tem gente que não acha linda essa nossa diversidade? Porque a cor dos olhos diferente é lindo e a cor da pele é alvo de preconceito? Porque — e como — com quem alguém está se relacionando não é aceito por alguns? Não devíamos mostrar e demonstrar o amor? Apreciar o amor?

Falta muita coisa no mundo. Falta respeito. Falta tolerância. Falta se amar mais. Falta para de criticar. Falta olhar para si. Falta olhar para os outros. Falta cuidar dos outros. Falta se colocar no lugar do outro. Falta pensar “ei, não é a minha vida, vou ficar de boca calada.” Falta. Só falta.

Fico pensando: até que ponto realmente somos humanos. O que é este “ser” humano?

Se pra “ser” humano tem que fazer o outro sofrer, eu só sei de uma coisa: eu não quer ser.

Texto feito a partir de meus devaneios ao pensar sobre o mundo