Ver ou não ver? Eis a questão

Ver todos vemos. Seja pelo tato, pela visão, por qualquer um dos cinco sentidos. Mas será que nós realmente vemos? Ou nós só vemos o que queremos?

Cada dia mais eu acho que a gente tenta não ver, a gente tenta ignorar esse sexto sentido que temos. Tanta coisa acontece, tanta coisa ignorada. Tanta coisa a ser dita, tanta coisa guardada. Tanta coisa a ser feita, tanta coisa parada. Tanta coisa e tanto nada.

É assim que vejo o mundo ultimamente. Vejo que não há mais como ver tudo. Vejo como não podemos mais dar atenção a tudo. Damos atenção ao que, teoricamente, é o mais importante. Mais importante para o nosso umbigo, na maior parte do tempo. Também damos atenção ao que é inútil — mas que, individualmente, parece ter alguma utilidade. Não damos os devidos valores a algumas coisas, damos valor demais a outras.

A questão de ver o mundo também é relativa. Cada um tem a sua visão, cada um enxerga da sua forma. Mas não deveria ter algum senso comum para algumas coisas? Não deveria ter alguma regra para que todos fôssemos iguais, que víssemos igualmente algumas situações? Falta esse olhar de igualdade. Falta mais gente enxergando. Falta gente realmente querendo ver. Falta esse olhar, falta ver que há desigualdade. Vários tipos de desigualdades, e muita gente não entende, não consegue ver mais de um lado da situação.

E o pior: sempre evitam ver o lado ruim. É do ser humano. Querem ver o lado bom. E pior ainda: querem ver o lado bom pra elas. Querem sempre o seu espaço sendo uma coisa boa. E aí surge a questão: até quando o bom é realmente bom? Acho que falta essa visão.


Originally published at serelepesaltitante.wordpress.com on May 4, 2015.

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