Meu útimo artigo tratava da fundamental importância em se definir o problema que deve ser resolvido. Minha motivação nesse tema vai muito além de problemas cotidianos, problemas que nos são apresentados no trabalho, problemas que nos aparecem ao nosso redor como cidadãos. Minha motivação ao se definir o real problema a ser resolvido vai também a uma esfera do ser humano como humano.

Onde quero chegar?

Um dia antes de eu escrever essa publicação, passei algumas horas refletindo sobre um discurso que faria para algumas pessoas do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo) em decorrrência de uma homenagem que será prestada hoje (21/02/2017) ao meu tio, no dia de seu aniversário, o primeiro após seu falecimento. O que leva uma empresa ou instituição a prestar uma homenagem póstuna a um ex funcionário? Sem dúvida nenhuma não são os resultados que ele gerou ao longo de sua carreira, sem dúvida nenhuma não é em função de quanto dinheiro meu tio levou para a empresa ao longo de sua jornada como funcionário. Certamente meu tio foi um apaixonado pelo que fez profissionalmente, certamente meu tio fez grandes amizades, certamente meu tio impactou a vida de muita gente, certamente meu tio fez muito mais do que lutar por seu emprego ao longo de seus mais de 40 anos na mesma empresa. Minha mensagem nesse discurso gira em torno da relevância que nós como pessoas exercemos sobre outras pessoas, no âmbito profissional ou no âmbito pessoal. Quão relevante você é para a sua família? Quão relevante você é para as pessoas com as quais trabalha? Quão relevante você tem sido para o mundo?

Minha linha de raciocínio é de que nós somos responsáveis por nossa felicidade, por nossa saúde, por nossas finanças, por nossa carreira e que obter sucesso nisso tudo pode ou não ter a ver com o quanto dinheiro você faz. Em minha opinião, muito se relaciona com o fato de você ser ou não o protagonista da sua vida. Você não precisa ser empresário, empreendedor, funcionário, gordo, magro, alto ou baixo pra ser dono das rédeas da sua vida. Mas tê-las em mãos é sua responsabilidade. Escolher quais problemas você quer resolver ao longo da vida, escolher com quais problemas você quer conviver ao longo da sua vida, isso sim é algo que você deve levar consigo sempre, seja você pobre, rico, empresário ou funcionário.

Isso me leva ao polêmico tema em relação ao Uber da última semana, quando um juiz deu causa ganha em primeira instância a um ex-motorista do Uber alegando vínculo empregatício.

Não vou mentir em não dizer que quando saem notícias negativas em relação a Uber, Airbnb, Amazon, Livraria Cultura, Wise Up e outras tão inovadoras que me fizeram, assim como a tantas outras pessoas, uns verdadeiros apaixonados pelo serviço que prestam e não pelo marketing que fazem, me sinto diretamente afetado.

Mas gostar dessas empresas e de seus modelos de negócio não são suficientes para eu ser contra essa decisão de alegação de vínculo empregatício.

Os motivos pelos quais se alegaram víncolo empregatício é que me motivam a escrever essa publicação.

A seguir trechos de uma publicação feita pelo Advogado, Sr. Andre Mansur, responsável por garantir esse benefício ao ex motorista do Uber:

“Há cerca de 4 meses, temos sido procurados por diversos motoristas e ex-motoristas do UBER, com grande quantidade de problemas financeiros: prestações atrasadas do financiamento do veículo, aluguéis vencidos de suas residências, muitos em fase de despejo e mais um monte de problemas ligados ao ENDIVIDAMENTO.”

“Mais de 100 pais de família, agonizando por não conseguirem proporcionar às suas famílias um mínimo de dignidade.”

“Enquanto isso, a empresa UBER acumula bilhões ao redor do mundo, atuando com a liberdade da raposa dentro do galinheiro. Sem regulação, sem controle, somente comendo os lucros do trabalho destes motoristas.”

“Esta sentença contundente protege direitos trabalhistas, mas parece que as pessoas que reclamaram foram somente as que se beneficiam do serviço. Isso, de onde eu venho, chama-se EGOÍSMO!”

Neste link é possível ler a publicação inteira feita em seu Facebook.

De maneira alguma desmereço o problema dessas famílias e a competência do Advogado e do Juíz. Mas mesmo sem questionar muitos porquês, nessas alegações feitas pelo advogado fica evidente para mim que mais uma vez uma solução errada foi dada a um problema certo.

O que quero dizer?

A grande dor do ex motorista do Uber, assim como de tantos outros motoristas e ex motoristas, assim como de tantos outros médicos, advogados, enfermeiros, jornalistas, ciencistas, engenheiros, enfim de qualquer pessoa independente da profissão, se trabalha para alguma empresa, se é empreendedor, empresário, o que for, é sua relação com dinheiro. Não me excluo dessa. Ainda estou muito aquém do que gostaria de estar.

Você já parou para pensar que estar endividado pode não ser um problema da empresa para a qual você trabalha?

Você já parou para pensar que qualquer dinheiro que entre em sua conta por ser funcionário pode não resolver seu endividamento?

O que irá resolver seu endividamento é você aprender a fazer com que o dinheiro trabalhe para você ao invés de você trabalhar para ele. Para você chegar a esse ponto, muito suor, muito estudo e muita dedicação será despendida e isso empresa nenhuma fará por você.

Porém em um caso como esse, alegar judicialmente vínculo empregatício entre uma empresa global e um motorista, sendo que o modelo de negócio do Uber dá total autonomia para você ser motorista quando você quer, sem precisar cumprir horário, sem precisar avisar que vai ao médico, sem precisar levar atestado (muito menos um forjado), sem precisar de punição por chegar atrasado, sem precisar pedir permissão para ir à reunião da escola do seu filho ou filha, sem dúvida nenhuma irá afetar a continuidade dessa empresa aqui, permitindo milhões de pessoas, atuais motoristas, se beneficiarem desse modelo de negócio inovador, onde não há relação de empregador e empregado.

Alegar que a empresa para a qual eu trabalho é responsável pelo meu endividamento é o mesmo que dizer que minha saúde é de responsabilidade do meu plano de saúde. Ação de vínculo empregatício contra o Uber para resolver problema de endividamento é o mesmo que processar uma companhia de Plano de Saúde por estar acima do peso, com colesterol alto, próximo ataque cardíaco.

Se a CLT é boa ou ruim, se o modelo de emprego atual está com seus dias contados ou não, isso é assunto para outra conversa, de preferência com uma cerveja gelada. A mensagem que gostaria de passar nesse artigo é: assuma as rédeas da sua vida e torne ela uma consequencia do que você pensa e faz. Seja o exemplo. Seja a mudança que você quer ver no mundo. Não delegue suas responsabilidades à pessoas ou empresas. Compartilhe-as com seus amados, mas jamais dê a elas a responsabilidade de você ser feliz e bem sucedido.

Tenha uma boa semana!

Leonardo Veri

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