Design Thinking no Brasil — Leonardo Veri

Para começar a falar de Design Thinking, começarei falando sobre nosso modelo de consumo.

Na década de 90 o Brasil começou a experimentar algo novo, uma nova economia, que permitiu a mais pessoas, ou melhor, deu acesso a mais pessoas, a possibilidade de comprar coisas, sejam computadores, televisores, carros, celulares, luxo e novidades. Isso obviamente movimentou demais o mercado, a economia cresceu, nos anos 2000 esse “poder de compra” continuou a melhorar e cada vez mais pessoas consumindo produtos.

Obviamente esse consumo todo, visto por uma outra ótica representa um aumento significativo do consumo de metais, de árvores, de petróleo, de cursos d´água, de florestas, de espécies, enfim, de recursos naturais finitos. Nada difícil hoje repararmos em cidades atoladas de carros causando trânsitos caóticos, poluição desenfreada, problemas ambientais nitidamente causados por esse consumo, desde evidentes problemas que vivenciamos com água, petróleo, rios e peixes morrendo. Chegamos ao limite de um modelo baseado em consumo de produtos. A produção exige recursos finitos e essa barreira está na nossa cara. Com base nisso só temos duas saídas: nos prepararmos para a guerra por terra e água ou encarar essa mudança agora e passar a fazer parte dela.

Passar a fazer parte desta mudança significa acordar todos os dias e ir trabalhar na construção de uma nova ordem mundial, de um novo contrato social, de uma nova educação, um novo governo, uma nova política, uma nova indústria, um novo comércio, um novo modelo de produção, um novo sistema de relações de trabalho, uma nova estrutura social, um novo modelo econômico. Ou seja, construir um novo mundo, construir um novo Brasil. E essa mudança começa em cada um de nós, mudando nosso modo de viver, influenciando e dando o exemplo aos nossos familiares, nossos vizinhos, nossa comunidade, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado. Não dependemos de ninguém, de empresa nenhuma, de governo nenhum para começar. É nossa responsabilidade individual começar já.

Legal, texto bonito, empolgante, com frases de impacto (espero que tenha ficado mesmo) mas e aí? Como começar?

Bom, se você quer começar uma faxina em casa, você primeiro precisará de pano, balde, rodo e vassoura. Se você quer começar uma plantação nova, primeiro você precisará de enxada, rastelo e sementes. Ok. E se você quer começar a mudar o mundo? Qual a ferramenta necessária para começar a mudar o mundo, principalmente nessa era em que vivemos abarrotada de informação digital, internet, etc? Minha proposta aqui é lhes apresentar o Design Thinking.

Design Thinking é um modo de pensar e resolver problemas. O modelo de pensar do Design é um modelo totalmente centrado nas pessoas.

Essa expressão “Design Thinking” surgiu no início da década de 90 e logo em seguida popularizada pela IDEO, uma empresa de design e inovação fundada em 1991 em Palo Alto, Califórnia. Grandes nomes do Design e Design Thinking estão ligados à essa empresa, tais como Tim Brown e Eric Ries. Em Palo Alto é também onde está localizada a Universidade de Stanford, muito conhecida por ser o berço da inovação e da criação de grandes cérebros do mundo dos negócios, engenharia e tecnologia.

O Design Thinking ganhou corpo, alma e muito músculo desde então e hoje existem inúmeras empresas especializadas, porém por ser um modo de pensar e resolver problemas, Design Thinking não precisa de uma empresa ou organização para existir. Ele pode ser aprendido, usado e evoluído por qualquer pessoa em qualquer posição social, em qualquer ramo de atividade.

Design Thinking se sustenta em três pilares: Empatia, Colaboração e Experimentação.

Por Empatia entendemos a arte de conhecer o povo, o público, a pessoa à qual será o centro de qualquer passo adiante. Não existe Design Thinking sem um grande esforço de observar, conhecer e compreender as pessoas que você quer servir.

Colaboração é a arte de criar coletivamente, com pessoas de mundos diferentes. Resolver problemas baseado em perspectivas diferentes.

E Experimentação, também conhecido como prototipagem, é a arte de errar cedo e barato antes de lançar algo no mercado. Ou seja, quanto mais cedo você testar uma idéia, um novo produto ou serviço, mais próximo do seu público ele estará quando de fato chegar ao mercado. E nesse conceito, não existe mais um modelo “arte final”. E sim uma constante evolução. Vejamos o exemplo dos celulares de duas grandes marcas: Apple e Samsung. A cada ano temos duas novas versões disponíveis no mercado, sempre em constante evolução. Outro detalhe, que explorarei em algum artigo futuro, é a questão do uso desses aparelhos. No Brasil ainda são produtos caros por uma série de fatores, porém o grande negócio dessas marcas não são os aparelhos em si, mas sim o que passamos a fazer, consumir, usar através deles. Esse é um conceito derivado do Design Thinking chamado de Design de Serviços. Há um outro também chamado Design de Negócios. Ambos serão explorados mais a frente, mas apenas a título de explicação, o Design de Serviços é a aplicação do Design Thinking de modo a reinventar a relação entre marcas e clientes. Grande exemplo é a Nike que passou a se relacionar com seu público de atletas amadores de modo a despertar um enorme interesse em cada vez mais gente pelo esporte, atividade física, também como forma de socialização e como consequencia a venda de produtos.

E Design de Negócios, muito ligado ao texto recém publlicado “Canvas: Criando um modelo de negócios inovador”, que também será um pouco mais explorado futuramente, tem como foco principal a criar formas diferentes de vender algo. De criar experiências diferentes ao seu consumidor no momento da elaboração de um Plano de Negócios para uma nova empresa. Aliás, esse termo “experiência” é a alma de tudo, principalmente quando o colocamos ligados às pessoas, ou clientes, ou consumidores e chegamos a um outro termo muito famoso “Customer Experience” (em inglês) ou “Experiência do Consumidor”. Creio que essa é a alma que guiará as empresas a partir de já: como entregar a melhor experiência ao cliente.

Resumindo e não concluindo esse artigo (lembre-se de que não concluir é algo muito bom, pois significa que estará em constante evolução): O Design Thinking é um modo de pensar e resolver problemas, totalmente centrado em pessoas e sustentado por três pilares: Empatia (conhecer seu público), Colaboração (criar coletivamente) e Experimentação (errar cedo e barato, aprender, ajustar e evoluir).

Esse texto teve como referência o livro Design Thinking Brasil, de Tenny Pinheiro e Luis Alt, ambos considerados grandes nomes do Design Thinking no Brasil.

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